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Empresa brasileira usa satélites da Nasa para monitorar florestas em tempo recorde

Greenline já mapeia 1,5 milhão de hectares no Brasil, reduz de 2 anos para 6 meses o processo de emissão de créditos de carbono e agora integra comitê técnico ligado ao Ministério da Fazenda

Brasil tem cerca de 500 milhões de hectares de floresta e desponta como um dos maiores potenciais do mercado global de carbono (Mario Tama/Getty Images)

Brasil tem cerca de 500 milhões de hectares de floresta e desponta como um dos maiores potenciais do mercado global de carbono (Mario Tama/Getty Images)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 9 de julho de 2026 às 14h00.

Última atualização em 10 de julho de 2026 às 11h05.

Como comprovar que uma floresta preservada está realmente sequestrando a quantidade de CO2 que um projeto promete?

Essa é a pergunta que move o mercado de créditos de carbono e durante décadas, a resposta veio de equipes em campo, medindo troncos e mensurando esses números para áreas de milhares de hectares.

Mas a multinacional de inteligência climática Greenline estima que esse método in loco está sujeito a margens de erro que podem chegar a 30%.

Pensando nisso, a empresa brasileira aposta em uma metodologia própria: dados de satélites da Nasa e da ESA para monitorar florestas de forma remota em tempo real e recorde.

Em parceria com cientistas europeus e americanos, a tecnologia levou cinco anos para ser desenvolvida e usa sensores para captar características como estrutura da vegetação, atividade fotossintética e umidade.

A partir disso, levanta informações que alimentam algoritmos de inteligência artificial para estimar biomassa e sequestro de carbono com precisão. 

O resultado, segundo a empresa, é uma auditoria que costumava levar cerca de dois anos e agora é concluída em seis meses.

Até o momento, a Greenline já monitora 1,5 milhão de hectares de floresta no Brasil, distribuídos em cerca de 100 projetos nos biomas Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado e Pampa.

A área é o equivalente a dez vezes o município de São Paulo e soma um sequestro médio anual de 25 milhões de toneladas de CO2. 

Erick Mussi, CEO da Greenline, destaca que o método tradicional depende de amostragens in loco, o que representa apenas um recorte da floresta e não capta sua complexidade real.

"Eliminamos a necessidade de extrapolações estatísticas porque os sensores dos satélites conseguem analisar a totalidade da área em tempo real".

Ainda que expressivo, o número é pequeno perto do patrimônio natural do país: 500 milhões de hectares de floresta.

Segundo a empresa, uma vantagem do método é a possibilidade de reconstruir o passado. Como os satélites parceiros mantêm registros históricos em acesso aberto desde 2014, é possível provar que uma área estava preservada anos atrás, mesmo sem medições em campo na época.

Isso resolve um problema comum de proprietários rurais que conservam suas terras há mais de uma década, mas não tinham como comprovar formalmente esse histórico.

Um exemplo é o Projeto Cauré, em Coari (AM), onde mais de 80 mil hectares de floresta densa foram monitorados remotamente.

Uma cadeira na regulação do mercado de carbono

O avanço da tecnologia acontece num momento decisivo para acelerar a regulamentação do mercado de carbono no Brasil, aprovada em novembro de 2024.

A empresa foi convidada a integrar o Grupo de Trabalho Temático sobre Metodologias de Efeito Estufa (GTT Metodologias), instituído em maio de 2026 pela Resolução CTCP/SBCE nº 2, ligado ao Comitê Técnico Consultivo Permanente do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE), cuja governança está sob o Ministério da Fazenda.

Para Lucio Lopez, presidente da companhia, a participação no comitê reflete a maturidade da tecnologia num momento em que o setor exige mais transparência contra o greenwashing.

"Contribuir tecnicamente com o SBCE é uma oportunidade de apoiar o Brasil na consolidação de um mercado de carbono rastreável e seguro", diz o executivo.

++ Leia mais: Agenda climática já influencia investimentos e acesso a mercados, diz ministro do Meio Ambiente

Na prática, esse grupo vai definir os critérios que vão reger o mercado regulado de carbono: quais metodologias podem ou não ser usadas para gerar os Certificados de Redução ou Remoção Verificada de Emissões (CRVE), além de parâmetros de integridade ambiental, permanência e gestão de riscos.

De acordo com a BloombergNEF, o Brasil desponta como terreno fértil para projetos de créditos de carbono em um mercado que deve superar US$ 1,1 trilhão por ano até 2050.

Para a Greenline, é uma oportunidade para escalar a tecnologia na construção das diretrizes e regras que irão valer para todo setor.

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