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UNICEF e parceiros lançam aliança para ampliar empregos verdes no Brasil

Iniciativa mira o descompasso entre formação e demanda por mão de obra qualificada na economia de baixo carbono, enquanto estimativas apontam potencial de até 1 milhão de vagas no país

Formação em habilidades verdes ainda é escassa fora dos grandes centros urbanos, aponta UNICEF (Luis Alvarez/Getty Images)

Formação em habilidades verdes ainda é escassa fora dos grandes centros urbanos, aponta UNICEF (Luis Alvarez/Getty Images)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 16 de julho de 2026 às 18h00.

O Brasil já tem 2 milhões de adolescentes e jovens de 14 a 29 anos trabalhando em empregos verdes, segundo a UNICEF.

A realidade, porém, esconde uma lacuna: a oferta de formação em habilidades sustentáveis segue limitada e concentrada nos grandes centros urbanos, deixando de fora justamente as regiões onde a transição para uma economia de baixo carbono mais precisa de mão de obra qualificada.

Um estudo do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) estima em 1 milhão o potencial de novos empregos verdes no país.

É esse descompasso que uma aliança multissetorial, lançada nesta quinta-feira, 16, em evento em São Paulo, se propõe a mudar.

A coalizão reúne UNICEF, GIZ (Cooperação Brasil-Alemanha), ACNUR, Fundação Arymax, Pacto Global da ONU – Rede Brasil, OIT, MEC, MTE e SENAI, além de movimentos sociais como o Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) e o Fórum Paraense de Juventudes.

Um relatório da rede global de cidades C40 Cities, que analisou 25 cidades em diferentes países, aponta São Paulo como líder do ranking entre referências mundiais em sustentabilidade urbana e geração dessas vagas.

A iniciativa se organiza em frentes de trabalho temáticas, com adesão aberta a empresas, governos e sociedade civil. A mais concreta até agora é a liderada pelo SENAI, voltada à formação, qualificação e requalificação de trabalhadores para a economia verde.

Leone Andrade, diretor-geral do SENAI, resume o problema: "essa nova economia está ampliando a demanda por novas competências e perfis profissionais" e é justamente essa oferta de formação especializada que hoje não acompanha o ritmo da demanda.

A GIZ, braço da Cooperação Brasil-Alemanha na aliança, já tem um programa mais avançado nessa direção: integra habilidades verdes à Educação Profissional e Tecnológica com foco declarado em mulheres e grupos marginalizados.

Para Jochen Quinten, diretor nacional da organização, a aposta é que a aliança "conecta governo, empresas e sociedade civil" para acelerar "uma transição justa que gera emprego, renda e inovação no país".

Segundo a UNICEF, o debate não é só sobre gerar empregos verdes, mas sobre a qualidade deles. A Fundação Arymax defende que o critério de sucesso da transição não pode ser só quantidade de vagas criadas, e sim tem que vir acompanhada de inclusão social, sobretudo para quem está em situação de vulnerabilidade.

A aliança também quer ampliar o escopo além das fronteiras nacionais: o ACNUR entra na coalizão para incluir refugiados e pessoas deslocadas à força como público-alvo dos empregos verdes, argumentando que esse grupo está entre os mais expostos aos impactos da crise climática. 

O que ainda não está claro

Vinícius Pinheiro, diretor da OIT no Brasil, chama a transição de "oportunidade histórica", mas condiciona esse sucesso a algo que ainda não está garantido: investimento em qualificação, aprendizagem ao longo da vida e políticas públicas capazes de sustentar a promessa.

Até o momento, não há metas numéricas, prazos ou orçamento definidos publicamente para a aliança, nem o número de empresas que já assinaram compromisso formal de adesão.

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