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Smart cities: São Paulo sediará em novembro de 2026 a Assembleia Geral da WeGO, que reunirá debates sobre cidades inteligentes, sustentabilidade, inclusão digital, uso de dados e novas formas de gestão urbana
Repórter de ESG
Publicado em 7 de agosto de 2026 às 10h36.
Última atualização em 7 de agosto de 2026 às 10h47.
São Paulo será, pela primeira vez, sede latino-americana da Assembleia Geral da Organização Mundial de Cidades Inteligentes e Sustentáveis (WeGO), conforme a EXAME apurou com exclusividade.
A capital paulista receberá a 7ª edição do encontro nos dias 26 e 27 de novembro de 2026, reunindo prefeitos, gestores públicos, especialistas, universidades, organizações internacionais e representantes do setor privado.
Realizada a cada três anos, a Assembleia Geral é o principal órgão deliberativo e de governança da WeGO, sigla para World Smart Sustainable Cities Organization. Criada em 2010, a organização internacional tem como objetivo promover a cooperação entre cidades, governos locais, instituições e outros parceiros envolvidos no desenvolvimento de cidades inteligentes e sustentáveis.
A ideia é ir além de uma conferência sobre tecnologia e gestão urbana. É durante o encontro que as mais de 200 cidades-membro definem as diretrizes estratégicas da organização para os três anos seguintes e tomam decisões sobre sua própria estrutura de comando.
Entre as atribuições estão a eleição da Presidência e das Vice-Presidências da organização, a composição do Comitê Executivo, a análise de eventuais alterações estatutárias e a escolha da cidade que receberá a próxima Assembleia Geral.
Paralelamente às decisões institucionais, a edição paulistana terá discussões sobre como tecnologias, dados e diferentes modelos de governança podem ser incorporados à administração das cidades.
A programação preliminar prevê painéis sobre uso de dados para o bem público, participação social, segurança urbana, inclusão digital e tecnologias acessíveis. Também estão previstas reuniões do Comitê Executivo da WeGO, encontro de prefeitos e visitas técnicas.
O tema escolhido para a edição é “Cidades Inteligentes para as Pessoas: Construindo Futuros Urbanos Pacíficos e Inclusivos”.
Uma cidade inteligente, ou smart city, é um município que utiliza tecnologias digitais, dados, inovação e modelos de governança colaborativa para melhorar a prestação de serviços públicos e aumentar a eficiência da gestão urbana.
Além de trabalhar a adoção de novas tecnologias, as cidades inteligentes exigem o desenvolvimento de soluções centradas nas pessoas, capazes de melhorar a qualidade de vida, ampliar a inclusão e fortalecer a participação cidadã.
A conexão entre cidades inteligentes e sustentabilidade está justamente na forma como essas ferramentas são aplicadas à gestão urbana. Dados, tecnologia e inovação podem ser usados como instrumentos para promover o desenvolvimento sustentável, enquanto inclusão digital, participação social e modelos colaborativos de governança ajudam a incorporar as necessidades da população às decisões sobre a cidade.z
Nesse sentido, uma smart city não é definida apenas pela quantidade de tecnologia disponível: também considera como a transformação digital é incorporada às políticas públicas e se as soluções adotadas contribuem para uma gestão urbana mais eficiente, inclusiva e voltada à qualidade de vida da população.
Entre exemplos de locais que já adotam práticas de cidades inteligentes estão:Singapura, com a adoção de sensores que monitoram trânsito, fluxo de pedestres e a limpeza urbana em tempo real;
Barcelona, na Espanha, que conta com iluminação pública inteligente. A partir de sensores, a cidade ativa a iluminação de LED em locais públicos apenas quando detecta movimento, o que reduz o consumo de energia e garante maior eficiência;
Londres, no Reino Unido, que monitora a mobilidade a partir de um conjunto de dados do transporte público e do pedágio urbano, tudo de forma digital;
No Brasil, Curitiba (PR) é uma das referências na adoção de práticas inteligentes, uma vez que tem o seu planejamento urbano voltado para o pedestre, dentro das chamadas "walkable cities", formatadas com foco na locomoção a pé.
Em São Paulo, serviços já começam a adotar o uso de big data e de inteligência artificial em centrais de monitoramento para gerenciar o trânsito e o transporte público.
O debate que chegará a São Paulo parte de uma definição de cidade inteligente que não se restringe à instalação de novas tecnologias no espaço urbano.
Sua atuação está concentrada em áreas como governo digital, tecnologia da informação e comunicação (TICs), inclusão digital e inovação urbana. Entre as atividades promovidas pela entidade estão o intercâmbio de boas práticas entre cidades, capacitações, premiações e fóruns internacionais.
A Assembleia Geral funciona como o principal espaço de deliberação institucional e de definição da agenda estratégica da organização.
Desde sua fundação, a WeGO já realizou Assembleias Gerais em cidades como Seul, Barcelona e Chengdu, além da região de Ulyanovsk, na Rússia. Com a escolha da capital paulista para a sétima edição, o encontro será realizado na América Latina pela primeira vez.
A Prefeitura de São Paulo representou a capital na candidatura para receber a edição de 2026.
A proposta paulistana destacou três pontos: a capacidade institucional da cidade, a infraestrutura disponível para grandes eventos internacionais e a experiência acumulada na implementação de políticas públicas baseadas em tecnologia, participação social e melhoria da qualidade de vida.
Angela Gandra, secretária municipal de Relações Internacionais da cidade de São Paulo, explica que receber a Assembleia Geral da WeGO em São Paulo representa um reconhecimento internacional da capacidade da cidade de desenvolver políticas públicas inovadoras, inclusivas e centradas nas pessoas. "Será uma oportunidade estratégica para fortalecer a cooperação entre cidades, ampliar o diálogo global sobre tecnologia e sustentabilidade e projetar a América Latina como protagonista na construção das cidades do futuro”, afirma.
Além de sediar as discussões institucionais da organização, São Paulo receberá atividades voltadas ao intercâmbio de experiências e à construção de parcerias entre os participantes.
Uma das estruturas previstas para cumprir essa função é o Smart Interaction Lounge, espaço permanente de inovação, networking, ou criação e manutenção de redes profissionais, e geração de parcerias durante os dois dias de programação.
O Smart Interaction Lounge foi concebido para aproximar governos locais, empresas, startups, universidades e organismos internacionais presentes no encontro.
O espaço deverá combinar áreas para exposição de soluções com um sistema de matchmaking, mecanismo de conexão de participantes a partir de interesses e objetivos em comum, para organizar reuniões entre os diferentes atores.
A proposta é permitir que governos e outras instituições conheçam tecnologias e experiências apresentadas durante a Assembleia, ao mesmo tempo que empresas, startups e demais organizações tenham contato direto com representantes das cidades.
Além da apresentação das soluções, o ambiente deverá ser utilizado para intercâmbio de experiências e desenvolvimento de oportunidades de cooperação entre os participantes.Essa aproximação entre diferentes setores ocorrerá paralelamente às discussões sobre políticas públicas que compõem a programação do encontro. Os painéis previstos abrangem desde o uso de dados pela administração pública até questões de inclusão digital e acesso à tecnologia, passando por segurança urbana e mecanismos de participação social.
A combinação dessas discussões com as decisões internas da WeGO fará dos dois dias de encontro em São Paulo também um momento de definição dos próximos passos da própria organização. Ao final da Assembleia Geral, além dos debates e intercâmbios realizados na capital paulista, a entidade terá definido sua estrutura de liderança, a composição do Comitê Executivo e as diretrizes que orientarão sua atuação no triênio seguinte.