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Diversidade: direitos, inovação e estratégia de negócio

A inclusão de pessoas LGBTQIAPN+ amplia perspectivas, fortalece a inovação e reduz os custos econômicos e sociais da discriminação

Equipes diversas reúnem diferentes experiências e ampliam a capacidade de resolver problemas complexos (Lyubov Ivanova/Getty Images)

Equipes diversas reúnem diferentes experiências e ampliam a capacidade de resolver problemas complexos (Lyubov Ivanova/Getty Images)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 11 de julho de 2026 às 16h00.

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*Por Clarice Coppetti, da Petrobras 

Quando se pensa em inovação, rapidamente o nosso olhar nos leva a referências como as tecnologias da informação e da comunicação, a inteligência artificial ou grandes laboratórios de pesquisas.

Mas há um componente menos visível, que é igualmente decisivo para que a inovação aconteça: a diversidade de pessoas e seu enraizamento na justiça social, em cidadania e nos negócios.

É na abrangência desse olhar que a inclusão de pessoas LGBTQIAPN+ ultrapassa a pauta de direitos humanos para ocupar espaço crescente nas estratégias das empresas mais inovadoras do mundo.

No Brasil, porém, ainda prevalece uma realidade que desperdiça talentos. A discriminação contra pessoas LGBTQIAPN+ continua presente no cotidiano de milhões de brasileiras e brasileiros, na escola, na família ou no mercado de trabalho, e muitas pessoas deixam de buscar oportunidades, escondem quem são ou limitam seu potencial por medo da rejeição.

A discriminação afeta a capacidade de inovar das organizações e o desenvolvimento do país.

Pesquisa do Banco Mundial divulgada em maio de 2026 mostra que a taxa de desemprego entre pessoas LGBTQIAPN+ no Brasil chega a 15%, quase o dobro da média nacional, e estima perdas econômicas de aproximadamente R$ 94,4 bilhões por ano. Só em perda de receita fiscal no Brasil são cerca de R$ 14,5 bilhões. Esse é o custo concreto da exclusão para toda a sociedade.

Empresas são ambientes onde decisões são tomadas diariamente. Quanto mais homogêneo é um grupo, maior a tendência de enxergar problemas da mesma forma, reproduzir soluções conhecidas e deixar escapar oportunidades. Já equipes diversas ampliam o repertório de experiências, questionam pressupostos, antecipam riscos, compreendem públicos diferentes e constroem respostas mais criativas para desafios complexos.

Estudos realizados nos últimos anos mostram que organizações capazes de reunir diferentes vivências e criar ambientes psicologicamente seguros tendem a apresentar maior capacidade de inovação, melhor tomada de decisão e adaptação às mudanças. Mas diversidade, por si só, não produz inovação. Ela só gera resultados quando é acompanhada de inclusão.

Uma empresa pode contratar pessoas diversas e perder seu potencial inovador se essas pessoas sentirem que precisam esconder quem são. Quando alguém gasta energia tentando parecer outra pessoa, além da grave pressão sobre sua saúde mental e física, sobra menos espaço para criar, colaborar e propor novas soluções. Por isso, a inclusão precisa ser construída na prática.

Na Petrobras, o enfrentamento à discriminação integra a estratégia corporativa. Inclusão não pode depender de ações pontuais ou campanhas sazonais: precisa estar presente nas políticas de gestão de pessoas, no desenvolvimento e seleção de lideranças, nos benefícios e no acompanhamento permanente dos resultados.

A companhia tem metas de Diversidade no seu Plano Estratégico e tem em curso uma iniciativa específica para equidade LGBTQIAPN+. Também conta com grupos de afinidade e iniciativas de conscientização.

A inclusão se traduz ainda em medidas concretas. Entre elas, a extensão de benefícios de saúde e previdência a casais homoafetivos, licença para mães não gestantes, reconhecimento do nome social e da identidade de gênero nos sistemas corporativos e cobertura, pelo plano de saúde, de procedimentos específicos para pessoas trans.

Em junho de 2025, a empresa lançou ainda uma campanha de incentivo à autodeclaração voluntária de orientação sexual e identidade de gênero, fortalecendo a construção de políticas internas baseadas em dados.

Ambientes mais inclusivos beneficiam toda a organização. Pessoas que se sentem respeitadas colaboram mais, permanecem por mais tempo, compartilham ideias com maior liberdade e contribuem para soluções que dificilmente surgiriam em ambientes marcados pelo medo ou pela exclusão.

Investir na inclusão de pessoas LGBTQIAPN+ é fortalecer a inteligência coletiva das organizações e construir um futuro mais inovador, competitivo e sustentável.

Quando pensarmos em inovação, nosso olhar também deve abranger a diversidade.

*Clarice Coppett é diretora de Assuntos Corporativos da Petrobras

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