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Brasil e Índia também querem atrair outros parceiros do Sul Global e organismos internacionais para ampliar essa rede (PR/Divulgação)
Repórter de ESG
Publicado em 23 de fevereiro de 2026 às 12h39.
Num movimento articulado durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Índia, os dois países anunciaram a criação da Rede Aberta de Inteligência Planetária (OPIN).
A proposta é ambiciosa: unir o que há de mais avançado em infraestrutura digital pública — a exemplo do PIX, no Brasil, e do India Stack — para acelerar a implementação de políticas climáticas e de desenvolvimento sustentável, com foco nos países do Sul Global.
A ideia é usar a tecnologia como ponte para que metas ambientais saiam do papel com mais velocidade e escala.
Na prática, isso pode significar desde sistemas de alerta contra desastres naturais até plataformas que conectem pequenos produtores rurais a mercados de carbono ou que permitam que famílias gerem e vendam energia limpa. Assim, os países agilizam a agenda ambiental e climática a partir dos avanços digitais.
Túlio Andrade, Diretor de Estratégia e Alinhamento da COP30, afirmou que a a OPIN reflete uma mudança estrutural mais profunda nas agendas. "Essa alteração vem com a crescente integração das transições digital e climática em uma agenda planetária compartilhada, alinhada ao Acordo de Paris e à Agenda 2030”, disse.
O plano conta com uma enorme responsabilidade: acelerar o Acordo de Paris, que embora siga sendo a espinha dorsal do esforço global contra o aquecimento do planeta, tem um ritmo da implementação ainda abaixo do necessário.
É aí que entra a aposta na chamada Infraestrutura Pública Digital (DPI). A ideia é que, assim como o PIX favoreceu a inclusão financeira no Brasil e o India Stack integrou milhões de indianos à economia formal, essas mesmas ferramentas possam agora ser adaptadas para criar uma espécie de "cérebro coletivo" voltado à ação climática.
A iniciativa também carrega um forte componente social e de governança. Ao facilitar o acesso a dados confiáveis e em tempo real, a OPIN pode ajudar a direcionar recursos com mais transparência, fortalecer a resiliência de comunidades vulneráveis e criar mecanismos mais justos de financiamento para quem adota práticas sustentáveis.
Exemplos concretos já existem. A Aliança Solar Internacional, por exemplo, vem usando sistemas digitais para turbinar a expansão da energia solar.
No Brasil, o Cadastro Ambiental Rural (CAR) já opera com base em infraestrutura digital para monitorar o uso da terra e dar transparência à aplicação do Código Florestal.
Com a OPIN, Brasil e Índia também querem atrair outros parceiros do Sul Global e organismos internacionais para ampliar essa rede.
“Este parece ser o momento em que começamos a garantir que o futuro da inteligência seja coletivo, aberto e planetário — em benefício de todas as pessoas”, afirma Túlio Andrade. O diretor vai continuar a mobilizar o engajamento de novos atores na OPIN por meio da presidência brasileira da COP30, tratando de acelerar a ação climática.