Oferecimento:
Parceiro institucional:
Expertise brasileira sustenta expansão da fabricante, que já tem 1.500 pedidos até 2027 (Divulgação)
Repórter de ESG
Publicado em 6 de julho de 2026 às 16h54.
Dos 500 novos ônibus elétricos entregues pela Prefeitura de São Paulo no último mês, 265 são da BYD. O número representa um recorde para a companhia: é a maior entrega de ônibus elétricos realizada de uma única vez no Brasil.
Com essa etapa da renovação da frota da capital paulista, a fabricante chinesa chega a 550 ônibus elétricos em operação em São Paulo e a 700 em circulação no Brasil.
"Fizemos uma aposta anos atrás, quando ninguém ainda falava sobre ônibus elétricos. A BYD sempre acreditou muito na eletrificação do transporte coletivo no mercado brasileiro", afirma Marcello Schneider, diretor de veículos comerciais e da linha de energia solar da BYD Brasil.
Hoje, a companhia já conta com três fábricas no Brasil: desde 2015, os chassis dos ônibus elétricos são produzidos em Campinas, no interior de São Paulo; em 2019, a companhia passou a fabricar as baterias usadas em seus veículos em Manaus (AM); e no último ano, inaugurou uma unidade em Camaçari (BA), focada em carros elétricos e híbridos, no maior complexo desse tipo na América Latina, com investimentos de R$ 5,5 bilhões.
"Usar inovação para produzir carros, ônibus e caminhões elétricos faz parte do nosso compromisso de diminuir a temperatura média do planeta em 1°C", explica o diretor. "Já temos ônibus rodando de Norte a Sul. A tecnologia está consolidada no Brasil e pode ser uma realidade em todo o país."
Marcello Schneider, diretor de veículos comerciais e solar da BYD Brasil: "Continuaremos investindo no Brasil e nacionalizando nossos componentes"
Schneider conversou com a EXAME e contou mais sobre a estratégia da fabricante, criada na China, para crescer e se reinventar com os ônibus elétricos na realidade do Brasil.
Até fevereiro deste ano, o Brasil tinha 1.471 ônibus elétricos, contra os mais de 130 mil veículos a diesel em circulação. Do total de elétricos, mais de 80% estão concentrados em uma única cidade: São Paulo.
O diretor de veículos comerciais explica que a concentração também se reflete nas entregas da BYD, com 550 veículos circulando por SP. Schneider detalhou os motivos para essa concentração e como a companhia trabalha para garantir o crescimento também em outras regiões do Brasil.
"São Paulo sempre foi pioneira na eletrificação da sua frota. A cidade percebeu cedo que, além de melhorar o transporte, a substituição da frota pela elétrica também contribui para reduzir a poluição sonora e a emissão de material particulado", conta.
Desde 2019, uma lei municipal proíbe que a renovação da frota inclua novos veículos a diesel.
Apesar de o investimento inicial ser mais elevado, o diretor explica que os custos acabam sendo menores no longo prazo. "Os elétricos têm 15 anos de vida útil, versus 7 ou 8 dos a combustão. Desde o primeiro dia, você já tem uma redução de 65% a 70% no custo de operação, seja no abastecimento do ônibus com eletricidade ou na manutenção desses veículos", explica.
Novos ônibus elétricos da BYD: fabricante já tem mais de 1.500 pedidos para 2027 em SP
O fato de a cidade servir como referência para o restante do país em tecnologias de transporte serve como ponto positivo para a estratégia de crescimento da fabricante de veículos elétricos.
"Já vemos outras cidades estratégicas investindo nessas frentes, como Belo Horizonte, Recife, Porto Alegre, Curitiba e Salvador", diz.
Entre a operação da BYD, o Brasil é um país estratégico para o desenvolvimento de ônibus elétricos, já que está entre os maiores mercados de transporte público do mundo. "Instalamos uma operação própria aqui, para a qual trouxemos o que temos de mais moderno e nos unimos a encarroçadoras nacionais", conta.
De acordo com o executivo, a troca com essas empresas ajuda a entender mais da expertise brasileira em conjunto com a tecnologia internacional.
Schneider não vê a competição entre fabricantes nacionais e chinesas como prejudicial à empresa, já que a operação está no Brasil. Ele destaca que, apesar do capital estrangeiro, a BYD tem fábricas, mão de obra e fornecedores locais. Já foram entregues mais de 100 ônibus da fabricante utilizando recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
"Continuaremos investindo no Brasil e nacionalizando nossos componentes", afirma.
A renovação da frota no Brasil mantém um ritmo estável, o que garante presença de mercado para a empresa. Afinal, além de expandir a substituição dos ônibus a combustão pelos elétricos, a companhia já projeta, nos próximos anos, a renovação dos primeiros ônibus elétricos que chegaram no Brasil: ou seja, os que foram entregues em 2018 deverão ser substituídos em 2033.
A sustentabilidade inerente à operação dos elétricos também entra na conta. Cada ônibus fabricado pela BYD equivale a impedir a emissão de 120 a 200 toneladas de CO2 por ano, o equivalente ao platio de 1.428 árvores. Só na entrega dos 265 ônibus para a Prefeitura de São Paulo, a quantidade de CO2 armazenada é igual a cinco vezes o Parque Villa-Lobos (SP), ou seja, 378 mil árvores.
Novos ônibus elétricos da BYD: fabricante entregou 265 dos 500 veículos entregues em junho na cidade de Sâo Paulo
A divisão de ônibus da BYD já conta com várias entregas previstas para o segundo semestre do ano, como ônibus articulados de 22,7 metros no corredor verde entre a Avenida Nove de Julho e a Avenida Santo Amaro, em São Paulo.
A companhia também vai entregar os primeiros ônibus mid, de 10 metros, que são parte da estratégia para levar a tecnologia dos elétricos para bairros periféricos.
A ampliação da linha de produção na fábrica de Campinas, onde são feitos os chassis, também está entre os projetos para este ano: a companhia vai passar da capacidade de 2 mil chassis para quase 5 mil chassis produzidos por ano. A mudança contou com a transferência da fábrica de módulos fotovoltaicos para outro espaço na mesma cidade. "Duplicamos a capacidade de produção para atender mais rapidamente aos pedidos existentes e aos novos pedidos", conta Schneider.
Até meados de 2027, a BYD também vai entregar 1.500 pedidos em São Paulo e fornecer ônibus para o corredor verde em Goiânia. "Cada vez mais queremos ajudar o Brasil a incrementar o número de ônibus elétricos, aproveitando a energia limpa em abundância e a tecnologia de transporte de massa já existente no país", diz.