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Seu dinheiro volta a circular: tecnologia reaproveita fibras de cédulas e reduz até 92% das emissões

Parceria entre Casa da Moeda, BP Security e Instituto Tran$forma desenvolve solução 100% brasileira premiada internacionalmente por transformar resíduos em nova matéria-prima sustentável

As cédulas são produzidas com fibras de algodão, um material que garante resistência e durabilidade ao papel-moeda (Erlon Silva - TRI Digital/Getty Images)

As cédulas são produzidas com fibras de algodão, um material que garante resistência e durabilidade ao papel-moeda (Erlon Silva - TRI Digital/Getty Images)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 25 de julho de 2026 às 14h00.

Será que o dinheiro em papel pode voltar a circular? Uma tecnologia desenvolvida no Brasil aposta em recuperar fibras de algodão presentes em resíduos da fabricação de cédulas e transformá-las em novos papéis de segurança. 

A solução de economia circular é fruto de uma parceria entre a BP Security, fornecedora de papel de segurança, Casa da Moeda do Brasil (CMB) e o Instituto Tran$forma, e já reaproveitou mais de 760 toneladas de resíduos que antes seriam descartados.

O projeto ambiental foi recentemente reconhecido como melhor da América Latina, em uma das principais premiações do setor de documentos e impressões de alta segurança.

Além do reaproveitamento de materiais, o menor impacto ambiental é expressivo: o processo pode reduzir em até 92% as emissões de CO2 em comparação com o uso de algodão virgem na produção de novos materiais.

Segundo as empresas, o desenvolvimento levou anos de pesquisa e validação até que as fibras recuperadas atingissem os requisitos técnicos necessários para voltar à cadeia produtiva.

O material passa por processos de tratamento, separação e estabilização que permitem sua reincorporação em papéis especiais, mantendo características como resistência e durabilidade.

Nas cédulas de teste, chamadas de house notes, a inclusão de até 30% de fibras recicladas mantém os padrões internacionais de qualidade exigidos para papéis de segurança.

Para os idealizadores, a iniciativa representa uma mudança na forma como resíduos industriais de alto valor podem ser tratados. Em vez de serem destinados ao descarte, passam a funcionar como matéria-prima para dar vida a novos produtos.

Patricio Malvezzi, fundador e CEO do Instituto Tran$forma, destaca que o Brasil reúne conhecimento técnico, capacidade industrial e criatividade suficientes para desenvolver soluções capazes de competir globalmente.

"Mais do que reciclar, estamos criando um novo modelo de geração de valor para a indústria brasileira, com potencial de ser replicado”, afirma.

A parceria também adotou um modelo de logística reversa, aproveitando a estrutura já existente entre a BP Security e a Casa da Moeda para reduzir custos operacionais e ampliar os ganhos ambientais do processo.

Apesar de ter sido criada a partir de resíduos da produção de papel-moeda, a tecnologia pode ser adaptada para outros materiais industriais de alto valor agregado. A expectativa é impulsionar a economia circular em diferentes setores.

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