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Mulheres negras na alta liderança: iniciativa capacita profissionais para conselhos

Formação executiva em governança fortalece participação estratégica e promove transformação nas empresas brasileiras

Projeto é feito pela Conselheira 101 em parceria com a Fundação Dom Cabral (JLco - Julia Amaral/Getty Images)

Projeto é feito pela Conselheira 101 em parceria com a Fundação Dom Cabral (JLco - Julia Amaral/Getty Images)

Letícia Ozório
Letícia Ozório

Repórter de ESG

Publicado em 13 de junho de 2026 às 08h01.

Brasil vive um paradoxo na governança corporativa: 96,6% das empresas listadas na B3 não têm nenhuma pessoa negra em seus Conselhos de Administração, e apenas 1% das cadeiras de liderança é ocupada por mulheres negras.

Para enfrentar essa desigualdade, o Programa NEXUS – Networking e Expertise para Sustentação em Conselhos oferece formação de alta liderança para mulheres negras e indígenas, preparando-as para ocupar posições estratégicas nas empresas.

Criado em parceria pelo Instituto Conselheira 101, que atua para ampliar o acesso de mulheres negras e indígenas a cargos de governança, e pela Fundação Dom Cabral, reconhecida por sua excelência em educação executiva, o NEXUS combina conhecimento técnico em governança com desenvolvimento de habilidades de liderança e networking.

Em quatro meses desde a conclusão da primeira turma, 67 mulheres negras já passaram pelo programa ou estão em formação, mostrando como iniciativas assim podem começar a mudar o perfil dos Conselhos de Administração no país.

Diversidade em conselhos de administração

“A presença de mulheres negras nos Conselhos de Administração é fundamental para ampliar perspectivas estratégicas e fortalecer uma governança mais diversa, inovadora e conectada com a realidade do país”, diz Jussara Santos, diretora de programas do Instituto Conselheira 101. “O NEXUS representa uma oportunidade concreta de preparar lideranças para ocupar esses espaços de decisão com excelência e impacto.”

Fernanda Quadros, também diretora e alumni do programa, acrescenta: “Estamos formando não apenas conselheiras, mas agentes de transformação capazes de contribuir para empresas mais plurais, sustentáveis e alinhadas aos desafios do futuro”, explica. "A presença de mulheres negras e indígenas na alta governança é essencial para impulsionar mudanças estruturais no ambiente corporativo.”

Para Fabíola Carla, gerente de negócios e soluções da Educação Social da Fundação Dom Cabral, o programa não apenas capacita as mulheres para que consigam conquistar essas oportunidades de carreira, mas também as prepara para se manter nesses cargos, garantindo a permanência de mais pessoas negras e indígenas nessas posições. "Esta proposta do programa traduz nossa crença no poder da educação como uma ferramenta potente para a inclusão social", afirma.

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