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Copom mantém taxa Selic em 13,75% ao ano

Expectativa do mercado é de que a taxa de juro comece a cair em 2023, mas movimento depende da política adotada pelo novo governo

 (Adriano Machado/Reuters)

(Adriano Machado/Reuters)

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Alessandra Azevedo, de Brasília

7 de dezembro de 2022, 18h39

Na última reunião de 2022, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, nesta quarta-feira, 7, manter a taxa básica de juro, a Selic, em 13,75% ao ano, patamar definido em agosto, após 12 altas consecutivas, e mantido nas duas últimas reuniões, em setembro e em outubro. A decisão já era esperada pelo mercado

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O boletim Focus mais recente, divulgado na segunda-feira, 5, pelo BC, mostra que ainda há expectativa de que a Selic comece a cair no ano que vem, mas que esse movimento deve ser observado só a partir de agosto. A projeção é de que termine 2023 em 11,75% e 2024 em 8,5%. 

A perspectiva de redução da taxa de juro deve ser impactada pela política fiscal adotada a partir de 2023. Os agentes financeiros estão atentos a iniciativas do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que, mais para a frente, poderiam resultar em aumento da inflação.

Ainda há incerteza sobre o custo da PEC da Transição e se o teto de gastos será substituído por uma nova âncora fiscal — e, nesse caso, qual será a nova regra. O boletim Focus mostra essa preocupação. Há um mês, o mercado projetava que a Selic cairia para 11,25% até o fim de 2023 e para 8% em 2024. 

A interrupção do ciclo de alta da Selic, em setembro deste ano, foi motivada pela desaceleração da inflação. As projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), porém, também mudaram desde a última reunião do Copom. 

De acordo com o boletim Focus mais recente, o índice deve terminar 2022 em 5,92%. Quatro semanas atrás, a projeção era de 5,63%. A inflação acumulada nos últimos 12 meses é de 6,47%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O teto da meta, portanto, deve ser ultrapassado pelo segundo ano consecutivo. A meta de inflação a ser perseguida pelo BC este ano é de 3,5%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, ficando entre 2% e 5%. 

Em setembro, ao manter a Selic em 13,75%, o Copom interrompeu o ciclo de alta da taxa de juro, iniciado em março de 2021. Entre julho de 2015 e outubro de 2016, a taxa ficou em 14,25% ao ano e, depois, passou a ser reduzida até chegar a 6,5% ao ano, em março de 2018. 

A partir de agosto de 2019, começou outra fase de reduções, chegando a 2% ao ano em agosto de 2020, com impacto da pandemia de covid-19. Em março de 2021, pela primeira vez desde julho de 2015, o BC elevou a taxa básica de juro em 0,75 ponto percentual, para 2,75%, e iniciou o ciclo de alta, interrompido em setembro deste ano. 

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