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Selic em 13,75%? O que esperar da última reunião do Copom do ano

Risco fiscal deve aparecer no comunicado do Banco Central, mas analistas esperam manutenção da taxa de juros

Taxa Selic: Copom realiza dias 6 e 7 de dezembro sua última reunião de política monetária no ano (Getty/Getty Images)

Taxa Selic: Copom realiza dias 6 e 7 de dezembro sua última reunião de política monetária no ano (Getty/Getty Images)

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Beatriz Quesada

6 de dezembro de 2022, 18h07

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil realiza entre hoje, 6, e quarta-feira, 7, sua última reunião de política monetária do ano. A decisão será divulgada amanhã após o fechamento do mercado, e deve indicar os próximos passos para a trajetória da taxa básica de juros da economia, a Selic.

A expectativa dos agentes financeiros é que o Copom mantenha a Selic em 13,75% ao ano. Em sua última decisão, o comitê sinalizou que deve manter uma estratégia de juros estáveis por tempo prolongado. A expectativa era de que as taxas começassem a cair a partir do segundo semestre do ano que vem. 

No entanto, o quadro fiscal se agravou nas últimas semanas com as propostas do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após sua eleição, o que jogou dúvidas sobre a trajetória da taxa de juros no Brasil. 

A equipe de Lula propôs um gasto extra de R$ 198 bilhões, abrindo espaço no orçamento para deixar o programa social Bolsa Família fora do teto de gastos e cumprir promessas de campanha. A proposta pode começar a ser votada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado nesta terça

Enquanto aguardam por uma definição no quadro, os agentes do mercado estimam que os riscos não são fortes o suficiente para que o Copom reveja o curso de manutenção da taxa de juros em 13,75%. O BC, no entanto, deve endereçar a alta dos riscos fiscais em seu comunicado.

“Segundo as autoridades, uma vez que a dinâmica inflacionária está diretamente ligada ao quadro fiscal, o Copom pode elevar os juros novamente, caso a política fiscal acarrete uma piora das expectativas e condições financeiras do mercado”, afirmaram os analistas do Itaú BBA em relatório.

A advertência já vinha nas comunicações do Copom mesmo antes da eleição. Agora, analistas enxergam um risco de que a taxa se mantenha alta por um tempo ainda maior do que o inicialmente previsto, mas sem novas altas por hora.

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A justificativa para a manutenção da taxa em 13,75% ao ano está na melhora das perspectivas para a inflação, em especial na conjuntura externa.

“O cenário internacional para os mercados emergentes ainda exige cautela. Houve, no entanto, houve uma incipiente normalização nas cadeias de suprimentos e uma acomodação nos preços das principais commodities, o que deve levar a uma moderação das pressões inflacionárias relacionadas aos bens globais”, informa relatório do Credit Suisse.

Ainda assim, o quadro interno não está suficientemente controlado para que os juros comecem a cair. “O cenário doméstico de desinflação ainda apresenta desafios. Esperamos que o Copom diga que não houve grandes mudanças em termos de perspectivas para a inflação”, completa o documento.

Os analistas do Goldman Sachs também esperam uma manutenção da taxa básica de juros em patamares ainda elevados. “A preservação da postura restritiva se justifica com a pressão no núcleo e no campo de serviços da inflação, além da atividade no mercado de trabalho, alta incerteza em torno da postura fiscal e regra/âncora fiscal em 2023 e anos subsequentes – além da alta de juros global e sinais do banco central americano de um ciclo de elevação de juros prolongado”, destacam em relatório.

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