Economia

Governo anuncia bloqueio adicional de R$ 22,1 bilhões em gastos no Orçamento

As áreas afetadas pela decisão serão detalhadas apenas no fim do mês pelo governo

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 22 de maio de 2026 às 15h54.

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Os ministérios da Fazenda e do Planejamento informaram nesta sexta-feira, 22, que o governo federal fará um bloqueio de R$ 22,1 bilhões em despesas. Com a medida, o total de gastos travados no Orçamento do Executivo chega a R$ 23,7 bilhões.

Antes do anúncio, R$ 1,6 bilhão já estava congelado. As áreas afetadas serão detalhadas apenas no fim do mês.

O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, afirmou que o bloqueio deve seguir uma divisão proporcional às dotações dos órgãos. Segundo ele, o objetivo é evitar concentração do corte em algum ministério.

O principal fator para a nova contenção é a alta de R$ 14,1 bilhões na previsão de despesas com o Benefício de Prestação Continuada, o BPC. O programa atende idosos e pessoas com deficiência de baixa renda.

Também houve aumento de R$ 11 bilhões na estimativa de gastos com a Previdência Social. Para 2026, a projeção de despesa previdenciária é de R$ 1,122 trilhão. No primeiro relatório bimestral de receitas e despesas, a equipe econômica já havia elevado essa previsão em R$ 1 bilhão.

As despesas com pessoal e encargos sociais tiveram redução de R$ 3,4 bilhões.

Bloqueio não é contingenciamento

Os números constam do relatório bimestral de avaliação de receitas e despesas, usado pelo governo para acompanhar as contas públicas e verificar o cumprimento das regras fiscais.

O bloqueio ocorre quando a previsão de despesas supera o limite autorizado para os gastos. Para recompor esse limite, o governo reduz despesas discricionárias, como investimentos e custeio da máquina pública.

Já o contingenciamento é aplicado quando há risco de descumprimento da meta de resultado primário por insuficiência de receitas. Em 2026, a meta fiscal é de superávit de 0,25% do PIB, equivalente a R$ 34,3 bilhões, com banda de tolerância até zero.

Neste relatório, não houve necessidade de contingenciamento. A arrecadação teve avanço puxado por receitas ligadas ao petróleo, em meio aos efeitos da guerra no Oriente Médio sobre o setor.

Segundo a Receita Federal, a arrecadação com exploração de petróleo e gás natural cresceu 264% no primeiro quadrimestre, de R$ 11 bilhões no ano anterior para R$ 40,2 bilhões.

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