Swift: telescópio espacial da Nasa deve fazer uma reentrada descontrolada após mais de 20 anos em órbita (Divulgação/Nasa)
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Publicado em 4 de novembro de 2026 às 11h57.
O satélite Swift, da Nasa, tem previsão de reentrar na atmosfera da Terra nesta quarta-feira, 4, após 22 anos em órbita. O equipamento, de aproximadamente 1,5 tonelada, deve se desintegrar quase completamente, mas alguns fragmentos podem atingir a superfície.
O Brasil está entre os países que podem receber destroços, já que parte do território nacional está dentro da faixa orbital do observatório. Entretanto, não há confirmação de que os fragmentos cairão no país.
Segundo a Nasa, a probabilidade de uma pessoa ser ferida por destroços é de aproximadamente 1 em 2.100.
A previsão divulgada pela Aerospace Corporation indicava a reentrada para as 7h19 desta quarta-feira, no horário de Brasília, com margem de erro de duas horas para mais ou para menos. Até o momento, a agência espacial americana não havia confirmado a queda.
O Observatório Neil Gehrels Swift está em uma trajetória de reentrada descontrolada. Isso significa que não é possível determinar com precisão o local onde seus fragmentos poderão atingir a superfície.
As projeções indicam que a trajetória cruza grandes áreas da África, Ásia, Austrália e Américas Central e do Sul. Os Estados Unidos e a Europa estão fora da faixa de risco indicada.
Embora alguns componentes possam resistir à passagem pela atmosfera, a maior parte da estrutura deve ser destruída antes de alcançar o solo.
Lançado em 2004, o Swift não possui sistema próprio de propulsão para corrigir sua altitude.
Nos últimos meses, o observatório perdeu altura gradualmente, aproximando-se da atmosfera terrestre.
Para tentar impedir a reentrada, a Nasa desenvolveu uma operação em parceria com a Katalyst, startup do Arizona, nos Estados Unidos.
A missão utilizaria uma nave chamada LINK, lançada em julho, para alcançar o telescópio, acoplar-se a ele e transportá-lo até uma órbita mais alta e estável. Entretanto, a nave começou a girar descontroladamente após chegar ao espaço.
Em meados de agosto, os responsáveis desistiram da tentativa de resgate, e o Swift continuou perdendo altitude.
O Observatório Neil Gehrels Swift foi desenvolvido para estudar explosões de raios gama, fenômenos que estão entre os eventos mais energéticos observados no Universo. Os raios gama são uma forma de radiação eletromagnética invisível, com energia superior à dos raios X.
Avaliado em aproximadamente US$ 500 milhões, o equipamento utilizava três telescópios para acompanhar essas explosões e outros fenômenos cósmicos.
A missão havia sido planejada para durar apenas dois anos, mas permaneceu em operação por mais de duas décadas. Durante esse período, o Swift detectou e acompanhou mais de 2 mil explosões de raios gama, contribuindo para o estudo de alguns dos fenômenos mais energéticos do cosmos.