Sarampo: o vírus é um dos mais contagiosos conhecidos, especialistas afirmam que cerca de 95% da população precisa estar imunizada para impedir sua circulação (Jovanmandic/Getty Images)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 6 de agosto de 2026 às 17h40.
Nesta semana, um alerta foi emitido após a confirmação de um caso de sarampo no parque Universal Studios, na Califórnia. As autoridades brasileiras também decidiram ampliar nesta segunda-feira, 3, a vacinação em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo. Ambas as crises sanitárias têm a mesma origem, a volta da circulação de um vírus considerado erradicado em 1980.
O principal motivo para a volta do sarampo é a queda da cobertura vacinal registrada em diversos países nos últimos anos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Como o vírus é um dos mais contagiosos conhecidos, especialistas afirmam que cerca de 95% da população precisa estar imunizada para impedir sua circulação. Quando esse índice diminui, pequenos focos importados podem voltar a provocar surtos.
O cenário é agravado pelo aumento das viagens internacionais, que facilita a reintrodução do vírus em países onde a transmissão já havia sido interrompida.
Nos Estados Unidos, o Departamento de Saúde Pública do condado de Los Angeles informou que uma pessoa com sarampo esteve no parque Universal Studios em 26 de julho. Qualquer visitante que tenha permanecido no local entre 10h e 21h naquele dia pode ter sido exposto ao vírus.
As autoridades orientaram que essas pessoas verifiquem sua situação vacinal e observem o surgimento de sintomas. Gestantes, bebês e pessoas imunossuprimidas foram aconselhados a procurar atendimento médico independentemente do histórico de vacinação.
O alerta ganha dimensão pelo tamanho do parque. Segundo dados mais recentes, o Universal Studios Hollywood recebeu 8,8 milhões de visitantes em 2024, muitos deles turistas internacionais.
O episódio ocorre em meio ao maior surto de sarampo registrado nos Estados Unidos em 35 anos. De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), o país contabilizou 2.318 casos confirmados desde o início de 2026.
No Brasil, o Ministério da Saúde recomendou uma estratégia semelhante de contenção após identificar uma cadeia de transmissão relacionada à importação do vírus em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo.
Até o fim de julho, o país havia confirmado 17 casos de sarampo em 2026. Desses, 14 permaneciam em acompanhamento no estado de São Paulo: 11 na capital, dois em São Bernardo do Campo e um em Guarulhos.
Como resposta, a pasta passou a recomendar, entre 3 de agosto e 1º de setembro, a vacinação de todas as pessoas entre 6 meses e 59 anos que vivem nesses municípios, independentemente da situação vacinal anterior.
Entre as medidas está a chamada "dose zero", aplicada em bebês de 6 a 11 meses. Trata-se de uma dose adicional destinada a aumentar a proteção em áreas onde há circulação do vírus. Ela não substitui as duas doses previstas no calendário nacional, que continuam sendo aplicadas aos 12 e aos 15 meses de idade.
A Prefeitura de São Paulo também reforçou a busca ativa de pessoas não vacinadas e ampliou a oferta da vacina nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e nas AMAs/UBSs Integradas.
Especialistas apontam que o ressurgimento do sarampo está diretamente relacionado à redução da cobertura vacinal observada em diversos países nos últimos anos.
Em 2025, a cobertura nacional brasileira atingiu 92,9% para a primeira dose da vacina, mas apenas 78,3% para a segunda, abaixo da meta de 95% estabelecida para interromper a circulação do vírus.
No estado de São Paulo, os índices são ainda menores. Segundo a Secretaria Estadual da Saúde, a cobertura da primeira dose está em 77,5%, enquanto a segunda alcança 65,5%.
Nos Estados Unidos, autoridades de saúde também associam o avanço da doença à diminuição da vacinação e ao crescimento da desconfiança em relação às recomendações de saúde pública.
Como o sarampo é uma das doenças mais contagiosas conhecidas, pequenas quedas na imunização podem ser suficientes para permitir novos surtos, principalmente em regiões com intenso fluxo de viajantes.
Embora o Brasil tenha eliminado a circulação endêmica do sarampo, o vírus continua sendo introduzido por meio de casos importados.
Segundo o Ministério da Saúde, os registros recentes ocorreram justamente em uma região marcada pelo grande fluxo de passageiros internacionais, aumentando a probabilidade de entrada do vírus no país.
Em 2025, o Brasil registrou 38 casos importados ou relacionados à importação. Na ocasião, as cadeias de transmissão foram interrompidas por ações de vigilância epidemiológica e bloqueio vacinal.
O cenário reforça a necessidade de manter altas coberturas vacinais mesmo em países onde a doença já havia sido controlada.
O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa, transmitida por gotículas eliminadas ao tossir, espirrar, falar ou respirar. Os principais sintomas incluem febre alta, manchas vermelhas na pele, tosse, coriza, conjuntivite e mal-estar.
A infecção pode provocar complicações graves, como pneumonia e inflamação no cérebro, sobretudo em crianças pequenas, gestantes e pessoas com baixa imunidade.
Segundo as autoridades de saúde brasileiras e norte-americanas, manter a vacinação em dia continua sendo a medida mais eficaz para evitar novos surtos e impedir que o vírus volte a circular de forma sustentada.