Ciência

O que é o sarampo? Doença registra altas nos casos

Altamente contagiosa, infecção viral pode causar complicações graves e voltou a preocupar autoridades de saúde no Brasil e nos Estados Unidos após o aumento dos casos

Altas nos casos: embora seja considerada evitável por vacinação, o sarampo voltou a preocupar autoridades sanitárias em diversos países. (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Altas nos casos: embora seja considerada evitável por vacinação, o sarampo voltou a preocupar autoridades sanitárias em diversos países. (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Paloma Lazzaro
Paloma Lazzaro

Estagiária de jornalismo

Publicado em 6 de agosto de 2026 às 17h43.

Nesta semana, um alerta foi emitido após a confirmação de um caso de sarampo no parque Universal Studios, na Califórnia. As autoridades brasileiras também decidiram ampliar nesta segunda-feira, 3, a vacinação em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo. Ambas as crises sanitárias têm a mesma origem, a volta da circulação de um vírus considerado erradicado em 1980.

O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa causada por um vírus da família Paramyxoviridae. A transmissão ocorre por meio de gotículas expelidas quando uma pessoa infectada tosse, espirra, fala ou até mesmo respira, o que faz da doença uma das mais transmissíveis conhecidas.

Embora seja considerada evitável por vacinação, o sarampo voltou a preocupar autoridades sanitárias em diversos países.

Em 2026, os Estados Unidos registraram 2.318 casos confirmados — o maior número em 35 anos — enquanto o Brasil confirmou 17 casos, dos quais a maior parte está concentrada no estado de São Paulo.

Quais são os sintomas?

Os primeiros sinais costumam surgir entre sete e 14 dias após a infecção. Inicialmente, o paciente apresenta febre alta, mal-estar, tosse, coriza e conjuntivite.

Poucos dias depois aparecem as características manchas vermelhas na pele, que normalmente começam no rosto e atrás das orelhas antes de se espalharem pelo restante do corpo.

Segundo a Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, os principais sintomas incluem:

  • febre alta;
  • manchas vermelhas na pele;
  • tosse;
  • coriza;
  • conjuntivite;
  • mal-estar intenso.

Por que o sarampo preocupa?

Além da alta capacidade de transmissão, o vírus pode provocar complicações graves, principalmente em crianças pequenas, gestantes e pessoas com baixa imunidade.

Entre os problemas mais frequentes estão pneumonia, infecções de ouvido e inflamação no cérebro (encefalite), que podem deixar sequelas permanentes e, em casos mais graves, levar à morte.

Por esse motivo, organizações de saúde afirmam que manter altas coberturas vacinais é fundamental para impedir a circulação do vírus.

Por que os casos voltaram a crescer?

Especialistas atribuem o aumento recente dos casos principalmente à queda da cobertura vacinal observada em vários países.

No Brasil, a cobertura nacional em 2025 alcançou 92,9% para a primeira dose da vacina, mas apenas 78,3% para a segunda, abaixo da meta de 95% considerada necessária para interromper a transmissão.

Em São Paulo, os índices são ainda menores: 77,5% para a primeira dose e 65,5% para a segunda.

Nos Estados Unidos, autoridades de saúde também relacionam o crescimento dos casos à redução da vacinação e ao aumento da desconfiança em relação às recomendações de saúde pública.

Além disso, o intenso fluxo internacional de viajantes facilita a importação do vírus para países onde a transmissão havia sido interrompida.

Uma doença diferente da varíola

Apesar de ambas provocarem febre e lesões na pele, sarampo e varíola são doenças completamente diferentes.

A varíola era causada pelo vírus Variola, da família dos ortopoxvírus, e foi erradicada mundialmente em 1980 graças a uma campanha coordenada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O último caso natural foi registrado na Somália, em 1977.

Já o sarampo continua circulando em diversas partes do mundo. Como seu vírus permanece ativo e pode ser reintroduzido por viajantes infectados, a vacinação continua sendo a principal estratégia para evitar novos surtos.

Como prevenir

A principal forma de prevenção é a vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola.

Autoridades de saúde recomendam manter a caderneta de vacinação atualizada, especialmente para crianças, profissionais de saúde e pessoas que viajam para regiões com circulação do vírus.

Em áreas onde há surtos, também podem ser adotadas medidas temporárias, como a aplicação da chamada "dose zero" em bebês entre 6 e 11 meses de idade, oferecendo proteção adicional aos grupos mais vulneráveis.

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