Ciência

Qual tecnologia da USP foi usada na missão Artemis da Nasa?

A tecnologia foi criada a partir de pesquisas financiadas pelo programa Pipe, da Fapesp

Tripulação da Artemis II comemora missão bem-sucedida (Photo by RONALDO SCHEMIDT / AFP)

Tripulação da Artemis II comemora missão bem-sucedida (Photo by RONALDO SCHEMIDT / AFP)

Luiz Anversa
Luiz Anversa

Repórter

Publicado em 6 de maio de 2026 às 19h23.

Última atualização em 6 de maio de 2026 às 19h36.

A Nasa utilizou uma tecnologia desenvolvida na Universidade de São Paulo (USP) para monitorar os astronautas da missão Artemis II, que realizou um sobrevoo da Lua entre os dias 1º e 10 de abril.

O equipamento, denominado actígrafo, foi desenvolvido na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, sob coordenação do professor Mario Pedrazzoli, especialista em cronobiologia, área dedicada ao estudo dos ritmos biológicos e do sono. O dispositivo é usado no pulso e permite o monitoramento contínuo de variáveis biológicas.

Entre as informações coletadas estão padrões de sono, níveis de atividade e exposição à luz. O actígrafo também registra movimentos corporais, intensidade luminosa e a composição espectral da luz, incluindo a chamada luz azul, relacionada à regulação do ciclo sono-vigília.

Pesquisas financiadas

A tecnologia foi criada a partir de pesquisas financiadas pelo programa Pipe, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Posteriormente, o dispositivo passou por aprimoramentos e começou a ser produzido pela empresa Condor Instruments, sediada em São Paulo.

No ambiente espacial, o actígrafo foi utilizado para acompanhar os ritmos circadianos dos astronautas, fator considerado relevante para a saúde, o desempenho e a segurança durante as missões. Além do uso no espaço, o equipamento também pode ser aplicado em pesquisas sobre distúrbios do sono e, segundo a USP, pode contribuir para a formulação de políticas públicas voltadas à qualidade de vida.

Missão histórica

Essa foi a primeira missão tripulada à Lua desde o fim do programa Apollo, em 1972, e teve como objetivo testar sistemas e colocar dados para preparar as próximas etapas do programa, que levarão o homem para a superfície lunar novamente.

Segundo a Nasa, a missão coletou mais de 175 GB de dados, incluindo milhares de imagens da superfície lunar. Parte do material registra, pela primeira vez, documentação humana ao lado oculto da Lua.

Após uma bem sucedida volta em torno da Lua na última quarta-feira, 8, os astronautas realizaram ajustes de trajetória para preparar a volta para casa. A espaçonave acionou os propulsores por 15 segundos para corrigir o caminho de retorno à Terra.

Acompanhe tudo sobre:NasaUSP

Mais de Ciência

Por que 90% das pessoas são destras? Estudo explica evolução humana

Alergia à água? Condição rara faz até banho virar problema

O verdadeiro segredo da resistência física pode estar no cérebro, diz estudo

Como tubarões podem ajudar a prever tempestades