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IA virou o novo Google da Geração Z?

Pesquisas mostram que jovens de 18 a 28 anos já usam chatbots como substitutos da busca tradicional, enquanto Google, TikTok, redes sociais e assistentes de IA disputam o papel de primeiro ponto de contato com a informação

IA e Geração Z: como os jovens estão trocando a busca tradicional pela conversa com chatbots (Unsplash/ Mars Sector-6/Divulgação)

IA e Geração Z: como os jovens estão trocando a busca tradicional pela conversa com chatbots (Unsplash/ Mars Sector-6/Divulgação)

Marina Semensato
Marina Semensato

Colaboradora

Publicado em 30 de maio de 2026 às 09h00.

Última atualização em 30 de maio de 2026 às 11h38.

Priorizar nos meus resultados Google

Nos últimos vinte anos, a reação automática para qualquer dúvida que surgisse era "dar um Google". O mecanismo de buscas mais famoso e longevo do mundo até virou verbo em outras línguas — em inglês, a sugestão era "Google it". Entre a Geração Z, porém, essa frase já divide espaço com outra: "vou perguntar pro Chat".

É o que indica um levantamento da Harvard Business Impact, em parceria com a Gallup e a Walton Family Foundation, que entrevistou cerca de 2.500 americanos entre 18 e 28 anos em 2025 e revelou que 65% deles usam chatbots de IA como substitutos do Google para pesquisas do dia a dia.

Por que a Geração Z prefere conversar com IA a pesquisar no Google?

O apelo dos chatbots está na redução de etapas. Uma busca tradicional exige digitar o termo, avaliar os resultados, clicar em um link, ler o conteúdo e decidir se a resposta é suficiente. No chatbot, o usuário faz a pergunta e recebe uma resposta que, em grande parte, vai poupá-lo de navegar entre páginas.

Dados da mesma pesquisa da HBI mostram que 52% dos jovens usam IA para tarefas de trabalho e 46% para escrita — atividades que antes dependiam de buscas seguidas de leitura e síntese manual. Apenas 32% disseram recorrer à IA para assuntos pessoais, como conselhos sobre relacionamentos.

Outro fator é a sensação de personalização. Diferente de uma página de resultados padronizada, a IA se adapta ao que já foi dito na conversa e entrega uma resposta filtrada, sem precisar cruzar avaliações em sites diferentes.

TikTok e redes sociais também competem com a busca tradicional

A IA não é a única concorrente do Google entre os mais jovens. Pesquisas da Adobe, de 2024, indicam que 64% da Geração Z usa o TikTok como motor de busca — e um em cada dez jovens americanos confia mais no TikTok do que no Google para encontrar informação, segundo o mesmo levantamento.

A preferência por vídeo curto e por IA conversacional pode sugerir que esses jovens buscam por respostas visuais ou diretas, sem a etapa intermediária de ler artigos.

O Pew Research Center identificou, em pesquisa de campo de setembro e outubro de 2025, que 64% dos adolescentes americanos de 13 a 17 anos usam chatbots de IA, com mais da metade recorrendo a eles para buscar informação e fazer tarefas escolares.

O Google já mudou a busca por causa da IA

O Google não ficou parado. Em 2025, a empresa acelerou a integração de IA nos resultados de busca com os AI Overviews — resumos gerados por inteligência artificial que aparecem no topo da página antes dos links tradicionais. Segundo a BrightEdge, esse formato já cobria cerca de 48% de todas as consultas monitoradas em fevereiro de 2026.

Se o usuário quer uma resposta direta sem clicar em links, o Google prefere entregar essa resposta dentro da própria plataforma a perdê-lo para o ChatGPT ou a Perplexity, que também funciona como um buscador com IA aplicada.

O problema de receber respostas prontas

A mudança de comportamento não vem sem riscos. A mesma pesquisa da HBR com a Gallup revelou que os jovens que mais usam IA também demonstram preocupação com seus efeitos: 79% acreditam que a IA pode tornar as pessoas mais preguiçosas e 62% se preocupam com a possibilidade de ficar "menos inteligentes". Outros 68% temem perder o aprendizado que vem do esforço ao delegar tarefas cognitivas à máquina.

Em um experimento do MIT Media Lab, foram comparados os estudantes que escreviam com IA e sem IA, e os pesquisadores identificaram menor atividade cerebral e menor capacidade de recordar o próprio texto entre aqueles que usaram a assistência automatizada.

Um segundo estudo, conduzido por pesquisadores da Wharton School, mostrou que participantes que usaram IA para pesquisar um tema se esforçaram menos e produziram recomendações menos relevantes do que os que usaram busca tradicional.

Há ainda a questão da verificação. Chatbots de IA ainda cometem erros factuais — as chamadas "alucinações" — e entregam respostas sem indicar fontes com a mesma clareza de uma página de resultados com links. Quando o usuário aceita a resposta sem conferir, o risco de consumir informação imprecisa aumenta.

A própria Geração Z reconhece esse ponto. Na pesquisa da HBR, 61% dos entrevistados disseram temer que a IA substitua o aprendizado com outras pessoas — colegas e mentores — ao concentrar a busca por conhecimento em uma interface automatizada.

IA substituiu o Google para a Geração Z?

Por enquanto, não. O Google segue como a porta de entrada mais usada para buscas, e a própria empresa tem investido em IA dentro dos resultados — com os AI Overviews e a integração do Gemini — para não perder esse papel.

Por ora, os dois mecanismos se complementam enquanto o público aprende a usá-los juntos — um estudo da EY em parceria com a Microsoft mostrou que, embora 76% da Geração Z já use IA na vida pessoal e no trabalho, a maioria ainda está em fase de experimentação. Apenas 15% recorrem à IA com frequência em todas as atividades do dia a dia.

O que mudou agora é que o Google deixou de ser a opção automática para se tornar uma entre várias — chatbots, TikTok, YouTube, redes sociais. A Geração Z escolhe o canal conforme o tipo de pergunta e o formato de resposta que espera.

Mas a troca do buscador pelo chatbot ainda tem algumas desvantagens. Por exemplo, alguns chatbots de IA ainda cometem erros factuais e entregam respostas sem citar fontes com a mesma clareza de uma página de resultados com links.

Por isso, para perguntas sobre saúde, finanças ou decisões que envolvem risco, aceitar a primeira resposta de um chatbot sem conferir pode sair caro. A própria Geração Z reconhece o problema: na pesquisa da HBR, 61% dos entrevistados disseram temer que a IA substitua o aprendizado com outras pessoas — colegas e mentores — ao concentrar a busca por conhecimento.

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