Estudo aponta meses associados a maior desempenho cognitivo infantil (Maskot/Divulgação)
Redatora
Publicado em 4 de março de 2026 às 07h01.
O mês de nascimento pode estar associado ao desempenho escolar e ao desenvolvimento cognitivo das crianças. Pelo menos é o que indica pesquisa divulgada pelo National Bureau of Economic Research (NBER). O estudo analisou dados educacionais de longo prazo e identificou diferenças médias de rendimento relacionadas à idade do aluno ao ingressar na escola.
Entre os resultados, crianças nascidas em setembro apresentaram desempenho acadêmico superior em comparação com colegas da mesma série. Outubro e novembro também apareceram com médias mais altas em indicadores educacionais.
Os pesquisadores destacam que os dados representam uma tendência estatística e não determinam o nível de inteligência ou o QI individual.
A principal explicação apontada pelo estudo está ligada à chamada idade relativa na escola. Em diversos países do Hemisfério Norte, o ano letivo começa em setembro, o que faz com que os nascidos nesse mês sejam, em geral, os mais velhos da turma.
Essa diferença de até quase um ano é significativa nos primeiros anos escolares. Crianças ligeiramente mais velhas tendem a apresentar maior maturidade cognitiva, emocional e motora, o que pode facilitar o aprendizado inicial da leitura, da escrita e da matemática.
Ao longo do tempo, essa vantagem inicial pode refletir em melhores notas e maior confiança acadêmica.
Além da estrutura do sistema educacional, o estudo considera fatores ambientais durante a gestação e os primeiros meses de vida. Exposição à luz solar, níveis de vitamina D e variações sazonais na alimentação materna são elementos que podem influenciar o desenvolvimento cerebral.
Esses fatores, combinados com a idade relativa na escola, ajudam a explicar por que o mês de nascimento aparece associado a diferenças médias de desempenho.
O levantamento também observou que crianças nascidas pouco antes da data de corte escolar tendem a ser as mais novas da classe. Essa diferença de maturidade pode gerar uma desvantagem temporária no ambiente competitivo da sala de aula.
Especialistas ressaltam que essas diferenças costumam diminuir com o crescimento e não definem o potencial intelectual da criança.
Diante do resultado, os pesquisadores reforçam que o mês de nascimento não determina o QI nem o sucesso acadêmico de forma isolada. Estímulo familiar, qualidade da educação, contexto socioeconômico e oportunidades de aprendizado têm influência muito mais relevante no desenvolvimento da inteligência.
O estudo aponta uma correlação estatística, mas não estabelece uma relação direta de causa e efeito entre nascer em determinado mês e ser mais inteligente.