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Não foi Cleópatra: quem era a rainha que governou o Egito com poder de rei há 5 mil anos?

Novas análises de selos reais reforçam evidências de que Meretneith exerceu autoridade no topo do poder egípcio durante a Primeira Dinastia

Meretneith: nome da antiga governante foi identificado em selos reais encontrados em Saqqara (Freepik)

Meretneith: nome da antiga governante foi identificado em selos reais encontrados em Saqqara (Freepik)

Publicado em 29 de setembro de 2026 às 12h35.

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Uma mulher pode ter exercido poderes comparáveis aos de um rei no Egito Antigo há cerca de 5 mil anos, de acordo com um estudo publicado na revista científica Prague Egyptological Studies. A pesquisa traz novas evidências sobre Meretneith, uma das figuras mais importantes da Primeira Dinastia egípcia.

Pesquisadoras da República Tcheca e da Romênia utilizaram técnicas de processamento digital de imagens para analisar inscrições preservadas em antigas tampas de barro encontradas na necrópole de Saqqara. O método permitiu isolar hieróglifos, inverter cores e ampliar o contraste de marcas que eram difíceis de distinguir nas imagens originais.

A descoberta acrescenta novos elementos a um debate de décadas entre arqueólogos sobre a posição ocupada por Meretneith na estrutura de poder do Egito.

Selos reais revelam autoridade de Meretneith

As pesquisadoras analisaram impressões presentes em tampas de recipientes de barro encontradas em Saqqara. O processamento das imagens permitiu destacar inscrições difíceis de distinguir visualmente e identificar o nome de Meretneith nos chamados serekhs, estruturas utilizadas para representar nomes associados à realeza.

A presença de seu nome nesses registros reforça as evidências de que Meretneith ocupou uma posição política excepcional para uma mulher naquele período. Ela se torna, segundo a pesquisa, a segunda mulher da Primeira Dinastia cujo nome aparece formalmente registrado nesses símbolos oficiais.

A descoberta, porém, não depende apenas dos selos. Outros vestígios arqueológicos já indicavam que Meretneith desfrutou de elevado status dentro da estrutura de poder egípcia.

Túmulo tem características associadas à realeza

Meretneith foi enterrada na necrópole de Abidos, onde seu complexo funerário apresenta dimensões e características associadas aos governantes da época.

No local, arqueólogos encontraram centenas de recipientes de vinho, monumentos com inscrições e dezenas de câmaras auxiliares destinadas ao sepultamento de pessoas ligadas à corte.

A estrutura funerária contribuiu para alimentar, ao longo das últimas décadas, o debate sobre a possibilidade de Meretneith ter exercido funções normalmente reservadas aos reis. As novas análises dos selos acrescentam outra evidência a essa discussão.

Meretneith permaneceu décadas no centro do poder

Os registros indicam que Meretneith permaneceu ligada à elite política egípcia durante aproximadamente 30 anos. Sua trajetória teria começado como corregente ao lado do rei Djer, apontado como seu possível pai.

Posteriormente, ela assumiu a função de regente durante a infância de seu filho e exerceu atribuições administrativas importantes. As evidências também associam Meretneith à administração das finanças do reino e à liderança de funcionários ligados ao Estado.

Seu nome continuou presente em registros produzidos por governantes posteriores, outro indício da importância que manteve após sua morte.

Meretneith foi a primeira mulher a governar o Egito?

A posição exata de Meretneith ainda é objeto de discussão entre especialistas. Tradicionalmente, Sobekneferu, que viveu mais de mil anos depois, é reconhecida como a primeira mulher comprovadamente associada ao título de faraó.

As novas evidências sobre Meretneith reforçam a possibilidade de que uma mulher tenha exercido autoridade comparável à de um rei muito antes disso.

Os selos analisados, somados às características de seu túmulo e aos registros administrativos, apontam para uma posição excepcional dentro da estrutura política da Primeira Dinastia.

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