Ciência

O que o sal diz sobre homens e mulheres, segundo a ciência

Pesquisa com brasileiros acima de 60 anos encontrou diferenças entre homens e mulheres no consumo adicional de sódio

Sal: estudo com idosos brasileiros investigou quem tem maior hábito de adicionar o tempero às refeições (GettyImages/Reprodução)

Sal: estudo com idosos brasileiros investigou quem tem maior hábito de adicionar o tempero às refeições (GettyImages/Reprodução)

Publicado em 6 de junho de 2026 às 09h20.

Adicionar sal à comida continua sendo um hábito comum entre muitos brasileiros. Um estudo com mais de 8.300 idosos revelou que esse comportamento é mais frequente entre homens, mas está mais fortemente associado aos hábitos alimentares e ao estilo de vida das mulheres.

Para chegar aos resultados, a pesquisa - publicada na revista científica Frontiers in Public Health -, analisou dados de brasileiros com 60 anos ou mais. As análises mostraram quem tem maior tendência a recorrer ao saleiro e quais fatores podem estar relacionados ao consumo extra de sódio, nutriente que, em excesso, está associado a problemas como hipertensão, doenças cardiovasculares e doenças renais.

O que os dados mostraram

Os pesquisadores identificaram que 12,7% dos homens entrevistados relataram adicionar sal à refeição já servida à mesa. Entre as mulheres, esse percentual foi de 9,4%.

Apesar disso, os fatores associados ao hábito foram diferentes entre os sexos. Entre os homens, poucas características apresentaram relação significativa com o uso do saleiro.

A principal diferença foi observada entre aqueles que seguiam uma dieta para controle da pressão arterial. Nesse grupo, a probabilidade de adicionar sal às refeições foi menor. Já os homens que moravam sozinhos apresentaram maior tendência a utilizar sal extra na comida.

O padrão observado nas mulheres

Entre as mulheres, o hábito de adicionar sal mostrou relação com um conjunto mais amplo de fatores ligados à alimentação e ao estilo de vida.

As participantes que não seguiam uma dieta para hipertensão apresentaram maior probabilidade de usar sal extra. O mesmo ocorreu entre mulheres que moravam em áreas urbanas e entre aquelas que consumiam frequentemente alimentos ultraprocessados.

Por outro lado, o consumo regular de frutas e verduras foi associado a uma menor tendência de recorrer ao saleiro.

Segundo os autores, os resultados sugerem que, entre as mulheres, o hábito pode fazer parte de um padrão alimentar mais amplo, relacionado à qualidade geral da dieta.

Por que algumas pessoas usam mais o saleiro?

Os autores destacam que o estudo não permite concluir exatamente o que causa esse comportamento, mas apontam algumas hipóteses. Uma delas é que o consumo frequente de alimentos ricos em sódio pode reduzir a sensibilidade ao sabor salgado ao longo do tempo, levando algumas pessoas a preferirem alimentos mais salgados.

Outra possibilidade é que o ato de pegar o saleiro seja apenas um hábito automático, repetido diariamente sem uma avaliação consciente do sabor da comida.

Como reduzir o consumo de sal?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que adultos consumam no máximo cinco gramas de sal por dia. No entanto, grande parte da população ultrapassa esse limite.

Para reduzir a ingestão de sódio, as recomendações são:

  • Reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados, que concentram grande parte do sódio ingerido pela população;
  • Utilizar ervas, especiarias e temperos naturais para realçar o sabor dos alimentos;
  • Experimentar alternativas como alho, cebola, limão e ervas frescas no preparo das refeições;
  • Evitar adicionar sal à comida antes mesmo de prová-la;
  • Retirar o saleiro da mesa para reduzir o hábito automático de acrescentar mais sal aos alimentos.
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