Hantavírus: surto em cruzeiro com mortes mobiliza OMS e autoridades europeias (Getty Images)
Repórter
Publicado em 5 de maio de 2026 às 13h13.
Um surto de hantavírus a bordo do navio MV Hondius colocou autoridades internacionais em alerta após a confirmação de mortes e casos suspeitos entre passageiros durante a travessia no Atlântico.
A embarcação, operada pela Oceanwide Expeditions, fazia a rota entre Ushuaia, na Argentina, e Cabo Verde, mas permanece sem autorização para atracar enquanto busca um porto seguro.
A Organização Mundial da Saúde informou que trabalha com autoridades da Espanha para que o navio siga até as Ilhas Canárias, onde poderia passar por investigação epidemiológica completa e desinfecção.
O governo espanhol, no entanto, afirma que ainda não tomou uma decisão e aguarda dados sanitários coletados durante a passagem por Cabo Verde.
O navio transporta 88 passageiros e 59 tripulantes de 23 nacionalidades, que foram confinados em cabines como medida para conter a propagação do vírus.
Até o momento, três mortes foram registradas: um casal holandês e um cidadão alemão.
O primeiro caso confirmado envolveu um passageiro britânico que desembarcou em 27 de abril na Ilha de Ascensão e foi transferido para Joanesburgo, na África do Sul.
Posteriormente, a OMS confirmou o caso de uma mulher holandesa de 69 anos, que morreu em 26 de abril após apresentar sintomas gastrointestinais.
Ela havia deixado o navio na ilha de Santa Helena com o corpo do marido, de 70 anos, que morreu dias antes após apresentar febre, dor de cabeça e diarreia leve.
As autoridades agora tentam localizar passageiros de um voo entre Santa Helena e Joanesburgo no qual ela viajou.
Até agora, há dois casos confirmados e ao menos cinco suspeitos sob investigação.
O hantavírus é um grupo de vírus transmitidos principalmente por roedores selvagens infectados, como ratos e camundongos, que eliminam o vírus por meio de saliva, urina e fezes.
A infecção humana pode ocorrer ao inalar partículas contaminadas, ao entrar em contato com esses animais ou, em casos raros, por mordidas.
O vírus recebeu esse nome a partir do rio Hantan, na Coreia do Sul, onde foi identificado durante a Guerra da Coreia.
Segundo autoridades de saúde, a transmissão entre pessoas é extremamente incomum e foi registrada apenas em um tipo específico do vírus.
Ainda assim, o contexto do cruzeiro levanta preocupações por envolver um ambiente fechado e circulação internacional de passageiros.
A OMS afirma que infecções por hantavírus são raras e, em geral, não se espalham facilmente entre humanos.
Os primeiros sintomas costumam se assemelhar aos de uma gripe, com febre, dor de cabeça e dores musculares. Em alguns casos, há relatos de sintomas gastrointestinais, como os observados nos passageiros do navio.
Com a progressão, a doença pode evoluir para quadros mais graves, incluindo dificuldade respiratória, comprometimento cardíaco ou disfunção renal, dependendo da variante do vírus.
Existem duas formas principais associadas à infecção: a febre hemorrágica com síndrome renal, mais comum na Europa e na Ásia, e a síndrome pulmonar por hantavírus, predominante nas Américas.
O diagnóstico é feito por exames laboratoriais que identificam anticorpos específicos. Não há vacina nem tratamento antiviral específico para o hantavírus, e o atendimento é baseado no suporte clínico.
A taxa de mortalidade pode variar conforme a variante do vírus, chegando a cerca de 15% dos casos, segundo autoridades de saúde.