Ciência

Coração acelerado? Exercício intenso pode ajudar contra o pânico

Estudo conduzido por pesquisadores da USP mostrou que corridas curtas de alta intensidade reduziram a frequência e a gravidade dos ataques de pânico

Exercício físico: pesquisadores investigaram o impacto de sprints sobre sintomas de ansiedade (Freepik)

Exercício físico: pesquisadores investigaram o impacto de sprints sobre sintomas de ansiedade (Freepik)

Publicado em 30 de maio de 2026 às 06h47.

Pessoas que sofrem com transtorno do pânico podem encontrar uma nova aliada no combate às crises: a atividade física intensa. Um estudo publicado na revista Frontiers in Psychiatry sugere que sessões curtas de corrida podem ajudar a reduzir a frequência e a intensidade dos ataques de pânico de forma mais eficaz do que técnicas tradicionais de relaxamento.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e acompanhou 72 adultos diagnosticados com transtorno do pânico durante 12 semanas.

Como o exercício ajuda a controlar o pânico

Os pesquisadores investigaram se a atividade física poderia funcionar como uma forma de terapia de exposição. A estratégia consiste em colocar o paciente, de maneira controlada, diante de sensações corporais que normalmente provocam medo durante uma crise.

Entre as sensações reproduzidas pelas corridas estão aceleração dos batimentos cardíacos, falta de ar, suor intenso e aumento do estado de alerta — sintomas frequentemente associados aos ataques de pânico.

Segundo os autores, vivenciar essas reações em um ambiente seguro ajuda o cérebro a reinterpretá-las como não perigosas, reduzindo o medo gerado pelos próprios sinais do corpo.

Como o estudo foi realizado

Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos. O primeiro realizou exercícios intervalados três vezes por semana. O protocolo incluía corridas de 30 segundos intercaladas com períodos de recuperação caminhando, além de aquecimento e desaquecimento. Ao longo das 12 semanas, o número de sprints aumentou gradualmente, passando de um para seis por sessão.

Já o segundo grupo participou de sessões de relaxamento baseadas em técnicas utilizadas na terapia cognitivo-comportamental, como respiração profunda e relaxamento muscular progressivo.

As atividades eram realizadas em horários programados e não durante as crises.

Ao final das 12 semanas, os cientistas compararam os resultados dos dois grupos para avaliar qual estratégia havia produzido os maiores benefícios. Embora todos os participantes tenham apresentado melhora, os que realizaram os exercícios intensos registraram resultados mais expressivos.

Entre os benefícios observados estavam:

  • menor frequência de ataques de pânico;
  • redução da intensidade das crises;
  • diminuição dos sintomas depressivos;
  • melhora mantida após o término da intervenção.

Os pesquisadores também verificaram que os efeitos positivos continuaram presentes mesmo 12 semanas após o encerramento das sessões.

O que explica o efeito

Os pesquisadores acreditam que o exercício vigoroso ajuda a reduzir a chamada sensibilidade à ansiedade — o medo das próprias sensações físicas associadas ao estresse e ao pânico.

Ao perceber repetidamente que um coração acelerado ou uma respiração ofegante não representam uma ameaça real, o paciente tende a reagir com menos medo quando esses sintomas surgem em outras situações.

Além disso, pesquisas anteriores já associaram a prática regular de atividade física à melhora do humor, da qualidade do sono, da resposta ao estresse e do funcionamento de neurotransmissores ligados à ansiedade e à depressão.

Apesar dos resultados promissores, os autores ressaltam que a atividade física não substitui acompanhamento médico ou psicológico.

Como o estudo avaliou um grupo relativamente pequeno de adultos sedentários, novas pesquisas serão necessárias para confirmar os achados em populações mais amplas e diversas.

Ainda assim, os cientistas apontam que exercícios intensos de curta duração podem se tornar uma ferramenta complementar de baixo custo e fácil acesso para ajudar no tratamento do transtorno do pânico.

A recomendação é que qualquer programa de atividade física, sobretudo de alta intensidade, seja iniciado com orientação profissional e progressão gradual.
Acompanhe tudo sobre:Exercícios FísicosAnsiedadeSaúde

Mais de Ciência

Os efeitos silenciosos do uso do celular por adolescentes até tarde da noite

Popular coquetel antienvelhecimento mostra efeito preocupante no cérebro

Novo tratamento a laser pode impedir cegueira antes dos primeiros sintomas graves

Vida sem Sol? Luas errantes podem esconder oceanos por bilhões de anos