Parkinson: estudo identificou uma rede cerebral ligada aos efeitos da estimulação cerebral profunda (Getty Images)
Redatora
Publicado em 15 de agosto de 2026 às 14h35.
Pesquisadores identificaram uma rede de comunicação no cérebro e um ritmo elétrico específico que parecem explicar por que a estimulação cerebral profunda (ECP) consegue aliviar os sintomas da doença de Parkinson. A descoberta pode abrir caminho para um tratamento mais preciso e personalizado, aumentando a eficácia da terapia no controle de tremores, rigidez e lentidão dos movimentos.
O estudo foi realizado por cientistas da Universidade de Colônia, dos Hospitais Universitários de Colônia e Düsseldorf, da Escola de Medicina de Harvard e da Charité Berlin. Os resultados foram publicados em julho na revista científica Brain.
A estimulação cerebral profunda é indicada principalmente para pessoas com Parkinson cujos sintomas já não são controlados adequadamente apenas com medicamentos.
O procedimento consiste na implantação de eletrodos em regiões profundas do cérebro, como o núcleo subtalâmico, que enviam pequenos impulsos elétricos para modular a atividade dos circuitos responsáveis pelo controle dos movimentos.
Embora a técnica seja utilizada há décadas e tenha eficácia comprovada, os mecanismos cerebrais responsáveis pelos benefícios do tratamento ainda não eram totalmente compreendidos.
Pela primeira vez, os cientistas conseguiram identificar simultaneamente onde a terapia atua e como diferentes regiões do cérebro se comunicam durante a estimulação.
Para isso, a equipe analisou 50 pacientes — o equivalente a 100 hemisférios cerebrais — combinando registros obtidos pelos eletrodos implantados com exames de magnetoencefalografia (MEG), técnica capaz de medir a atividade elétrica cerebral.
Os resultados mostraram que a comunicação entre o núcleo subtalâmico e áreas frontais do cérebro ocorre principalmente por meio de um ritmo beta alto, com frequência entre 20 e 35 hertz (Hz).
Os pesquisadores também observaram que, quanto mais forte era essa conexão, maior tendia a ser a melhora dos sintomas motores após o implante dos eletrodos.
Segundo os autores, esse ritmo funciona como um canal de comunicação entre diferentes áreas cerebrais e pode ser um dos principais responsáveis pelos efeitos terapêuticos da estimulação.
A identificação dessa rede poderá ajudar médicos a ajustar a estimulação cerebral profunda de forma mais individualizada, sobretudo em pacientes que ainda apresentam resposta limitada ao tratamento.
Em vez de utilizar parâmetros semelhantes para todos os casos, a terapia poderá ser configurada de acordo com os circuitos cerebrais mais importantes para cada paciente, aumentando as chances de obter melhores resultados.
A equipe agora pretende investigar como a estimulação modifica essas redes ao longo do tempo e de que forma esse conhecimento pode orientar futuras abordagens personalizadas para a doença de Parkinson.
Segundo os autores, o trabalho representa um avanço na compreensão de como a terapia atua no cérebro, aproximando os pesquisadores de tratamentos cada vez mais precisos e adaptados às características de cada paciente.