Ciência

Estudo revela 'sistema oculto de reparo' do cérebro adulto após lesões

Pesquisadores identificaram um mecanismo de autorreparo que pode inspirar futuros tratamentos para lesões cerebrais

Cérebro: astrócitos reconstruíram áreas lesionadas em experimentos com camundongos (Yuichiro Chino/Getty Images)

Cérebro: astrócitos reconstruíram áreas lesionadas em experimentos com camundongos (Yuichiro Chino/Getty Images)

Publicado em 16 de agosto de 2026 às 16h55.

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Pesquisadores da Universidade de Zurique descobriram um mecanismo até então desconhecido que pode ampliar a capacidade de regeneração do cérebro adulto após lesões. Em experimentos, um grupo especializado de células de suporte, chamadas astrócitos, foi capaz de reconstruir redes celulares danificadas utilizando uma estratégia inédita: enviar núcleos recém-formados para repovoar áreas lesionadas.

A descoberta, publicada na revista Nature Neuroscience, pode abrir caminho para futuras terapias voltadas à recuperação de lesões cerebrais e doenças que afetam essas células.

O que os cientistas descobriram?

Os astrócitos são células da glia responsáveis por diversas funções essenciais no cérebro. Eles fornecem nutrientes aos neurônios, ajudam a regular o fluxo sanguíneo cerebral e contribuem para o funcionamento saudável do sistema nervoso.

Até agora, acreditava-se que, quando essas células eram destruídas, o cérebro adulto tinha pouca capacidade de substituí-las completamente. No novo estudo, os pesquisadores identificaram um grupo especializado de astrócitos regenerativos, que se concentra ao redor das áreas lesionadas e participa da reconstrução do tecido cerebral.

Um mecanismo inédito de reparo cerebral

Para acompanhar o processo, a equipe utilizou microscopia de dois fótons, técnica que permite observar o cérebro de animais vivos durante várias semanas.

As imagens revelaram que os astrócitos não apenas se dividem para gerar novas células. Eles também utilizam um mecanismo incomum: os núcleos das células recém-formadas percorrem longas extensões celulares até alcançar a região lesionada, onde ajudam a reconstruir a rede de astrócitos perdida.

Segundo os autores, esse transporte de núcleos nunca havia sido descrito dessa forma em astrócitos adultos e representa uma nova estratégia de reparo do tecido cerebral.

Descoberta pode ajudar no tratamento de doenças neurológicas

Os pesquisadores acreditam que compreender esse mecanismo poderá contribuir para o desenvolvimento de terapias capazes de estimular a regeneração cerebral. Isso pode ser especialmente importante em doenças nas quais os astrócitos são destruídos, como a neuromielite óptica, uma doença autoimune rara, além de lesões traumáticas no cérebro.

Durante o estudo, a equipe também identificou diversos genes e vias de sinalização que são ativados temporariamente durante o processo de reparo. Esses mecanismos poderão servir como alvos para futuras pesquisas sobre regeneração do sistema nervoso.

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