Ciência

'Ultrassom' revela dois planetas nascendo a 437 anos-luz da Terra

Observações do ALMA mostram como os dois mundos estão moldando o disco de gás e poeira ao redor de sua estrela

Exoplanetas: imagens do ALMA mostram dois mundos ainda em formação no sistema WISPIT 2 ( M. Benisty, MPIA/ALMA)

Exoplanetas: imagens do ALMA mostram dois mundos ainda em formação no sistema WISPIT 2 ( M. Benisty, MPIA/ALMA)

Publicado em 3 de outubro de 2026 às 07h00.

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Astrônomos conseguiram observar dois planetas enquanto ainda estão em formação ao redor de uma estrela localizada a cerca de 437 anos-luz da Terra. As imagens mostram como os mundos jovens estão modificando o gás e a poeira presentes no ambiente em que crescem.

As observações foram realizadas com o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), conjunto de 66 antenas instalado no Chile. Os resultados foram apresentados em dois artigos disponibilizados no repositório científico arXiv. Pelo nível de detalhes sobre o processo, os registros funcionam como uma espécie de “ultrassom” da formação planetária.

Batizados de WISPIT 2b e WISPIT 2c, os dois planetas orbitam o jovem sistema WISPIT 2, com idade estimada em cerca de 5,4 milhões de anos. Ao redor da estrela existe um disco protoplanetário, estrutura formada por gás e poeira que fornece matéria-prima para a formação e o crescimento de planetas.

Como planetas em formação transformam o ambiente ao redor

As imagens mostram que os dois mundos já estão alterando a estrutura do disco enquanto continuam se formando. WISPIT 2b abriu uma lacuna no disco protoplanetário enquanto percorre sua órbita e acumula matéria. O gigante gasoso já tem massa equivalente a cerca de cinco vezes a de Júpiter.

Os pesquisadores também identificaram redemoinhos de gás ao redor do planeta. Essas estruturas haviam sido previstas por simulações sobre a interação entre planetas e discos, mas, segundo a equipe, ainda não tinham sido observadas dessa forma.

WISPIT 2c está em uma etapa menos avançada de desenvolvimento, mas também deixa sua marca no ambiente. O planeta esculpiu uma cavidade no disco ao redor da estrela.

As observações permitem acompanhar diretamente como planetas jovens modificam o material que participa de seu processo de formação.

Observações revelam diferentes etapas da formação de um planeta

As novas observações tornam WISPIT 2b um caso particularmente importante para acompanhar a formação de um planeta.

Os astrônomos conseguem observar o disco protoplanetário, o próprio planeta, evidências de que ele continua acumulando matéria e o gás interagindo diretamente com o mundo em formação.

Elementos desse processo já haviam sido detectados ao redor de outras estrelas jovens, principalmente no sistema PDS 70, mas não reunidos dessa maneira.

Segundo os pesquisadores, observações como essas podem ajudar os astrônomos a distinguir características do disco que indicam a presença de um protoplaneta daquelas que não estão associadas a um mundo em formação.

Planeta se forma a uma distância incomum de sua estrela

Outro aspecto que chama a atenção é a distância entre WISPIT 2b e sua estrela. O planeta está acumulando matéria a uma distância equivalente a 57 vezes a separação entre a Terra e o Sol. Isso representa quase o dobro da distância entre Netuno e o Sol.

Segundo os pesquisadores, a órbita é mais ampla do que a de quase todos os outros exoplanetas conhecidos atualmente. Mesmo a essa distância, WISPIT 2b continua acumulando matéria e alterando o disco ao seu redor.

Novos telescópios poderão revelar ainda mais detalhes

As técnicas utilizadas nas observações também poderão contribuir para futuros estudos de sistemas planetários ainda em formação.

Entre os instrumentos citados estão futuras melhorias do próprio ALMA e o Extremely Large Telescope (ELT), atualmente em construção no Deserto do Atacama, no norte do Chile. Esses instrumentos poderão produzir imagens ainda mais detalhadas de WISPIT 2 e mostrar como o sistema está sendo moldado pelos planetas em formação.

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