Ciência

Nova descoberta pode explicar como o Alzheimer avança no cérebro

Pesquisa identificou uma proteína que transporta a Tau entre neurônios e pode abrir caminho para terapias contra a doença

Alzheimer: estudo identificou um mecanismo que pode explicar como a doença avança pelo cérebro (Freepik)

Alzheimer: estudo identificou um mecanismo que pode explicar como a doença avança pelo cérebro (Freepik)

Publicado em 5 de julho de 2026 às 09h00.

Tudo sobreMal de Alzheimer
Saiba mais

Pesquisadores identificaram um mecanismo que pode ajudar a explicar como a doença de Alzheimer se espalha pelo cérebro. A descoberta revela como a proteína Tau, cujo acúmulo é uma das principais características da doença, consegue alcançar neurônios saudáveis e formar novos agregados tóxicos, contribuindo para a progressão do quadro.

O estudo foi conduzido por pesquisadores da University of Utah Health e publicado na segunda-feira, 29, na revista científica Cell. Em experimentos com camundongos, a equipe descobriu que uma proteína cerebral chamada Arc, normalmente responsável por auxiliar a comunicação entre os neurônios, também pode transportar a Tau tóxica para células saudáveis.

Como a proteína Tau se espalha pelo cérebro

Em condições normais, a proteína Arc participa da comunicação entre neurônios por meio de pequenas vesículas extracelulares - estruturas envolvidas por membranas que transportam moléculas de uma célula para outra. Os pesquisadores descobriram que a proteína Tau consegue aproveitar esse sistema natural de transporte.

Dentro dessas vesículas, a Tau viaja de neurônios já afetados para células saudáveis. Ao chegar ao novo neurônio, ela induz a proteína Tau normal a formar novos aglomerados tóxicos, permitindo que a doença continue avançando pelo cérebro.

Segundo os autores, esse mecanismo funciona como uma reação em cadeia, na qual pequenas "sementes" de Tau alterada transformam proteínas saudáveis em novas estruturas tóxicas.

O que aconteceu quando a proteína Arc foi removida

Para testar a importância da Arc nesse processo, os cientistas compararam camundongos com e sem essa proteína. Nos animais que não produziam Arc, as vesículas extracelulares continham quantidades muito menores de Tau, reduzindo drasticamente a disseminação da proteína entre os neurônios.

Por outro lado, a ausência da Arc também teve um efeito negativo. Como a Tau deixou de ser eliminada pelas células doentes, ela passou a se acumular dentro dos neurônios, acelerando a morte dessas células.

Com isso, os resultados indicam que a proteína desempenha um papel duplo: ajuda os neurônios afetados a eliminar parte da Tau acumulada, mas também facilita que esse material tóxico alcance células ainda saudáveis.

Descoberta aponta novo alvo para futuras terapias

Os pesquisadores afirmam que a estratégia mais promissora pode não ser bloquear totalmente a proteína Arc, mas impedir que as vesículas contendo Tau sejam absorvidas pelos neurônios saudáveis.

Dessa forma, seria possível interromper a propagação da doença sem impedir completamente o funcionamento normal desse sistema de comunicação cerebral.

A equipe também encontrou vesículas contendo Arc e Tau em amostras de tecido cerebral humano, sugerindo que o mesmo mecanismo possa existir em pessoas. No entanto, os autores ressaltam que os experimentos foram realizados principalmente em camundongos e que serão necessários novos estudos para confirmar esse processo em humanos.

Se confirmado, o mecanismo poderá abrir caminho para o desenvolvimento de tratamentos capazes de retardar a progressão do Alzheimer. Embora essa abordagem não reverta os danos já existentes, ela pode ajudar a limitar a disseminação da proteína Tau para novas regiões do cérebro, preservando a função cognitiva por mais tempo.

Acompanhe tudo sobre:Mal de AlzheimerPesquisas científicas

Mais de Ciência

Estudo investiga como o ciclo menstrual pode influenciar efeito das vacinas

Cientistas descobrem uso inesperado para 'supervermes' que devoram carne

Cientistas criam célula sintética que 'imita' quase todas as funções da vida

Como uma 'simples' torção pode aproximar computadores quânticos da realidade