Ciência

NASA vai explorar lua de Saturno com 'drone' em busca de sinais de vida

Missão Dragonfly vai sobrevoar dezenas de locais em Titã, coletar amostras e investigar moléculas orgânicas que podem ajudar a explicar como a vida surgiu na Terra

Esta ilustração mostra a sonda Dragonfly, da NASA, aproximando-se de um local na superfície de Titã, a exótica lua de Saturno. (Reprodução/NASA)

Esta ilustração mostra a sonda Dragonfly, da NASA, aproximando-se de um local na superfície de Titã, a exótica lua de Saturno. (Reprodução/NASA)

Ana Dayse
Ana Dayse

Colaboradora

Publicado em 22 de agosto de 2026 às 13h03.

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A NASA (Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço) prepara uma missão inédita para estudar Titã, a maior lua de Saturno, em busca de pistas sobre a origem da vida. A Dragonfly será um veículo com oito rotores, semelhante a um grande drone, capaz de voar entre diferentes pontos da superfície e analisar materiais orgânicos.

O lançamento está previsto para 2026, com chegada a Titã em 2034. Durante a missão principal, estimada em 2,7 anos, a Dragonfly deverá visitar dezenas de locais para investigar a química prebiótica e as condições ambientais do satélite.

O que a missão Dragonfly vai procurar em Titã

Um dos principais objetivos da Dragonfly em Titã é investigar processos químicos que podem ajudar a explicar como a vida surgiu na Terra.

A lua de Saturno é considerada pela NASA um possível análogo da Terra primitiva. Titã possui uma atmosfera baseada em nitrogênio e uma grande variedade de compostos orgânicos, moléculas que contêm carbono combinado com elementos como hidrogênio, oxigênio e nitrogênio.

Os instrumentos da missão também vão analisar:

  • Propriedades da atmosfera e da superfície;
  • Compostos orgânicos;
  • Processos de química prebiótica;
  • O oceano subterrâneo e reservatórios líquidos;
  • Possíveis evidências químicas de vida passada ou existente.

Como o “drone” da NASA vai voar em Titã

A Dragonfly terá oito rotores e será o primeiro veículo desse tipo utilizado pela NASA para realizar pesquisas científicas em outro mundo.

A tecnologia será possível, em parte, pelas características da atmosfera de Titã, que é quatro vezes mais densa que a da Terra, combinadas à baixa gravidade do satélite.

A aeronave poderá realizar voos sucessivos, transportar seus instrumentos entre diferentes locais e coletar amostras durante o percurso. Ao longo da missão, a previsão é que percorra mais de 175 quilômetros, quase o dobro da distância somada pelos rovers (veículo robótico de exploração espacial) que já exploraram Marte.

Onde a Dragonfly vai pousar

O primeiro destino será a região equatorial conhecida como Shangri-La, formada por campos de dunas que apresentam semelhanças com as dunas lineares da Namíbia.

A Dragonfly começará com voos curtos e depois fará deslocamentos de até 8 quilômetros, parando para analisar áreas de interesse científico.

O destino final previsto é a cratera Selk, onde há evidências de que água líquida, compostos orgânicos e energia coexistiram no passado.

Titã tem chuva de metano e temperatura de -179 °C

Apesar de possuir uma atmosfera baseada em nitrogênio, Titã apresenta um ciclo meteorológico diferente do terrestre. Nuvens e chuva de metano fazem parte de seu ambiente, enquanto outros compostos orgânicos formados na atmosfera chegam à superfície como uma espécie de neve.

O local que será explorado pela NASA é maior que Mercúrio e a segunda maior lua do Sistema Solar. O satélite está a cerca de 1,4 bilhão de quilômetros do Sol, aproximadamente dez vezes mais distante que a Terra.

A distância resulta em uma temperatura superficial de cerca de -179 °C. A pressão atmosférica na superfície é aproximadamente 50% maior que a da Terra.

Dados da Cassini ajudaram a escolher os locais

A NASA utilizou 13 anos de dados da missão Cassini para definir um período com condições meteorológicas mais favoráveis, além de identificar um local inicial seguro e outros pontos de interesse científico.

A Dragonfly integra o programa New Frontiers, que também reúne missões como New Horizons, que explorou Plutão e o Cinturão de Kuiper; Juno, enviada a Júpiter; e OSIRIS-REx, que estudou o asteroide Bennu.

A missão é liderada pela pesquisadora Elizabeth Turtle, do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins.

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