Ciência

Itália libera 80 mil polvos para combater invasão de caranguejos

Projeto aposta em predadores naturais para reduzir os impactos da espécie invasora, responsável por prejuízos milionários à pesca italiana

Caranguejo-azul: espécie invasora causa prejuízos milionários à pesca na Itália e motiva projeto que utiliza polvos como predadores naturais (Freepik)

Caranguejo-azul: espécie invasora causa prejuízos milionários à pesca na Itália e motiva projeto que utiliza polvos como predadores naturais (Freepik)

Publicado em 22 de agosto de 2026 às 09h44.

Priorizar nos meus resultados Google
Tudo sobreAnimais
Saiba mais

A Itália está recorrendo a um predador natural para tentar frear a expansão do caranguejo-azul (Callinectes sapidus), espécie invasora que vem causando prejuízos à pesca e à produção de mariscos no país. Desde junho, pesquisadores da Universidade de Bolonha já liberaram cerca de 80 mil filhotes de polvo-comum no mar Adriático como parte do projeto Octo-Blu, que busca reduzir a população do crustáceo por meio do controle biológico.

A iniciativa foi criada no ano passado com financiamento da região da Emília-Romanha. À Agence France-Presse (AFP), Antonio Casalini, técnico em aquicultura e integrante da equipe, explicou que o molusco foi escolhido por ser um predador eficiente de crustáceos e por seu potencial para limitar a proliferação do invasor.

Caranguejo-azul causa prejuízos milionários

Originário da costa atlântica da América do Norte, o caranguejo-azul chegou ao Mediterrâneo há algumas décadas, provavelmente transportado pela água de lastro de navios. Nos últimos anos, porém, sua população cresceu rapidamente. Autoridades e pescadores atribuem essa expansão ao aquecimento das águas associado às mudanças climáticas.

A espécie tornou-se uma ameaça especialmente no nordeste da Itália, uma das principais regiões produtoras de amêijoas da Europa. Com garras fortes, capacidade de abrir conchas e poucos predadores naturais na região, o caranguejo tem provocado perdas econômicas expressivas. Segundo autoridades da Emília-Romanha, os prejuízos acumulados desde 2022 chegam a 17 milhões de euros, o equivalente a cerca de R$ 100 milhões.

Como funciona o projeto com polvos

Os polvos são criados em tanques de água salgada em um laboratório na cidade de Cesenatico. Quando atingem o estágio adequado de desenvolvimento, os filhotes são transportados até o litoral e soltos próximos a recifes artificiais construídos com cimento e argila. Essas estruturas funcionam como abrigos e aumentam as chances de sobrevivência dos animais nos primeiros meses de vida.

Desde o início da iniciativa, aproximadamente 80 mil polvos já foram liberados. A expectativa da equipe é alcançar 160 mil indivíduos até o fim de agosto, aproveitando o elevado potencial reprodutivo da espécie, já que uma única fêmea pode produzir milhões de ovos.

Segundo Casalini, o objetivo é estabelecer pequenas comunidades de polvos próximas à costa para aumentar a pressão predatória sobre o caranguejo-azul.

Estratégia ainda enfrenta desafios

Apesar da expectativa, os próprios pesquisadores reconhecem que a estratégia tem limitações. O polvo-comum normalmente não vive nas águas rasas, quentes e arenosas onde o caranguejo-azul causa parte dos maiores prejuízos. Por isso, o impacto da iniciativa pode ser restrito em algumas áreas.

Outros especialistas sugerem que o robalo poderia atuar como um predador mais eficiente da espécie invasora. Paralelamente, a equipe da Universidade de Bolonha também investiga o uso de enguias, que se alimentam de ovos de crustáceos, como parte de uma estratégia complementar.

Acompanhe tudo sobre:AnimaisItáliaPesca

Mais de Ciência

Anvisa autoriza testes em humanos de vacina brasileira inédita contra malária

Biotech vai faturar R$ 48 milhões levando a medicina de precisão pelo Brasil com ajuda de IA

A IA pode superar a ciência? Pesquisadores preveem um futuro sombrio

Tartaruga de 194 anos pode ajudar cientistas a entender como retardar o envelhecimento humano