Os astronautas Reid Wiseman, Christina Koch, Victor Glover e Jeremy Hansen se despedem de familiares e amigos no Kennedy Space Center, na Flórida, antes do embarque na missão Artemis II, primeiro voo tripulado do programa lunar da Nasa em uma viagem de dez dias ao redor da Lua.
Repórter
Publicado em 1 de abril de 2026 às 18h00.
Última atualização em 1 de abril de 2026 às 18h27.
O programa Artemis acumulou US$ 93 bilhões em investimentos entre 2012 e 2025, segundo auditoria da própria NASA, consolidando-se como a iniciativa de exploração espacial mais cara já realizada.
O valor inclui desenvolvimento do foguete SLS, da cápsula Orion, sistemas de solo, trajes espaciais e contratos com empresas privadas. Cada missão individual tem custo estimado de US$ 4,1 bilhões, cifra que supera programas anteriores ajustados pela inflação.
Na comparação histórica, o custo por lançamento do Artemis é mais que o dobro do Space Shuttle, ônibus espacial reutilizável, e significativamente superior ao programa Apollo. A principal explicação está na baixa reutilização e na complexidade técnica.
Parte relevante do orçamento também financia o HLS, Human Landing System, sistema de pouso lunar, hoje sob responsabilidade de empresas como SpaceX, com a Starship, e Blue Origin. Esse modelo representa uma mudança: a NASA atua como contratante, não como única operadora.
O programa também envolve parceiros internacionais — como ESA, JAXA e agência canadense — diluindo custos, mas ampliando a coordenação política e técnica.
O programa da Nasa quer estabelecer uma presença sustentável na Lua, principalmente no polo sul, região com acumulos de gelo — recurso estratégico para água e combustível.
A Lua passa a ser tratada como plataforma intermediária para missões a Marte, segundo a NASA. A ideia é testar tecnologias, logística e permanência humana fora da Terra por longos períodos.
Além da exploração científica, o Artemis incorpora dimensões políticas e econômicas. A missão envolve múltiplos países e empresas privadas, criando um modelo de governança mais distribuído.
Apesar do avanço tecnológico, o Artemis enfrenta críticas por atrasos e estouros orçamentários. O programa está anos atrás do cronograma original, o que levanta dúvidas sobre sustentabilidade financeira.
Ao mesmo tempo, há pressão geopolítica: a corrida com a China, que planeja missões lunares tripuladas até 2030, tem acelerado decisões e prazos dentro da NASA.