Ciência

'Monstro' com mandíbula torta é descoberto no Brasil

Fósseis de 275 milhões de anos encontrados no Nordeste revelam espécie aquática incomum com dentes voltados para os lados

Espécie desconhecida de animal aquático do período Permiano foi identificada a partir de fósseis encontrados no Nordeste

Espécie desconhecida de animal aquático do período Permiano foi identificada a partir de fósseis encontrados no Nordeste

Publicado em 6 de março de 2026 às 06h43.

Fósseis encontrados no Nordeste do Brasil levaram cientistas a identificar uma espécie pré-histórica desconhecida que viveu há cerca de 275 milhões de anos, durante o período Permiano. O animal apresentava uma característica incomum: mandíbula torta e dentes voltados para os lados.

A descoberta foi descrita em um estudo publicado na revista científica Proceedings of the Royal Society B. Os pesquisadores analisaram fósseis que revelaram ser de um animal aquático com características raras entre os primeiros vertebrados de quatro membros.

A nova espécie recebeu o nome de Tanyka amnicola e pertence a um grupo primitivo de tetrápodes — animais vertebrados com quatro membros que deram origem a anfíbios, répteis, aves e mamíferos.

Espécie pré-histórica com anatomia incomum

Segundo os cientistas, o Tanyka amnicola apresentava uma estrutura mandibular diferente da maioria dos tetrápodes conhecidos.

As mandíbulas eram torcidas, fazendo com que os dentes apontassem lateralmente, e não para cima. Essa característica chamou a atenção dos pesquisadores, que inicialmente consideraram a possibilidade de deformação nos fósseis.

Com a descoberta de nove mandíbulas fossilizadas com a mesma estrutura, a equipe concluiu que se tratava de uma característica natural da espécie.

Além disso, a parte interna da mandíbula tem pequenas estruturas semelhantes a dentes, chamadas dentículos, formando uma superfície adaptada para triturar alimentos.

Essa anatomia indica que o animal provavelmente triturava a comida em vez de mastigá-la.

Mandíbulas fossilizadas no Nordeste

A identificação da nova espécie foi feita a partir de nove mandíbulas inferiores fossilizadas, cada uma com cerca de 15 centímetros de comprimento.

Os fósseis foram encontrados no leito seco de um rio no Nordeste brasileiro. Até o momento, nenhum outro osso do animal foi localizado, o que limita o conhecimento sobre sua anatomia completa.

Mesmo assim, com base em espécies relacionadas, os pesquisadores estimam que o animal poderia ter aparência semelhante à de uma salamandra de focinho alongado e medir até 90 centímetros de comprimento.

A formação geológica onde os fósseis foram encontrados indica que o animal vivia em ambientes de água doce, como lagos e rios.

Animal viveu antes dos dinossauros

O Tanyka amnicola viveu durante o período Permiano, milhões de anos antes do surgimento dos dinossauros.

Naquela época, a região que hoje corresponde ao Brasil fazia parte do supercontinente Gondwana, que reunia grandes porções do hemisfério sul.

Os cientistas acreditam que o animal se alimentava de pequenos invertebrados aquáticos ou até material vegetal, algo incomum entre os tetrápodes mais antigos, que geralmente eram carnívoros.

Para os pesquisadores, a descoberta ajuda a entender melhor a diversidade de espécies que habitavam os ecossistemas do período e como funcionavam as relações alimentares entre os animais.

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