'Bola dourada': objeto encontrado a 3,2 mil metros no Golfo do Alasca revelou ser parte de uma anêmona-do-mar gigante (NOAA Fisheries/Reprodução)
Redatora
Publicado em 29 de abril de 2026 às 10h01.
Um objeto misterioso encontrado a mais de 3 mil metros de profundidade no oceano teve seu mistério finalmente resolvido após anos de investigação. A chamada “bola dourada”, descoberta no Golfo do Alasca, não era um ovo e tampouco um organismo desconhecido, como se especulou inicialmente.
Segundo pesquisadores da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), o material corresponde a restos de tecido de uma anêmona-do-mar gigante da espécie Relicanthus daphneae. O estudo foi disponibilizado no repositório científico bioRxiv.
A estrutura foi localizada em 2023 durante uma expedição científica a mais de 3.200 metros de profundidade, no oceano profundo. Com formato arredondado, coloração dourada e uma pequena abertura, chamou atenção por não se parecer com nada conhecido pela equipe.
A aparência incomum levantou diferentes hipóteses, incluindo a possibilidade de se tratar de um ovo, uma esponja ou até algo ainda não catalogado pela ciência.
Para esclarecer a origem da amostra, os cientistas combinaram diferentes técnicas, como análise microscópica e sequenciamento genético. O material foi enviado ao Smithsonian National Museum of Natural History, onde passou por estudo detalhado.
Inicialmente, os testes indicaram a presença de células típicas de cnidários — grupo que inclui corais e anêmonas. No entanto, a confirmação exigiu análises mais aprofundadas.
A resposta definitiva veio com o sequenciamento genético completo. Os resultados mostraram forte correspondência com a espécie Relicanthus daphneae, uma anêmona que vive em grandes profundidades. A partir disso, os pesquisadores concluíram que a “bola dourada” era, na verdade, parte da base desse animal — estrutura responsável por fixá-lo no fundo do mar.
Pesquisadores também identificaram espirocistos, um tipo específico dessas células presente apenas em um subgrupo chamado Hexacorallia, o que ajudou a restringir a identificação.
Apesar da identificação, o caso evidencia o quanto o oceano profundo ainda é pouco compreendido. Mesmo com tecnologia avançada, estruturas encontradas nessas regiões podem levar anos para serem explicadas.
Segundo os cientistas, descobertas como essa reforçam a importância de continuar explorando ambientes extremos, onde novas espécies e fenômenos ainda podem ser revelados.