Ciência

Por que a pele nem sempre volta ao normal após um corte?

Especialistas explicam que o processo de cicatrização prioriza a proteção contra infecções, não a regeneração completa

cicatriz: marca permanente surge como resposta rápida do corpo para proteger a pele (Getty Images)

cicatriz: marca permanente surge como resposta rápida do corpo para proteger a pele (Getty Images)

Publicado em 29 de abril de 2026 às 10h58.

Cortes, arranhões e queimaduras podem cicatrizar, mas as marcas costumam permanecer por anos — e, em muitos casos, para sempre. As cicatrizes fazem parte do processo natural de recuperação da pele e raramente desaparecem completamente.

De acordo com a Popular Science, isso ocorre porque o organismo prioriza a proteção do corpo após uma lesão, e não a restauração estética da pele. Quando o ferimento é mais profundo, o corpo ativa rapidamente mecanismos de defesa para fechar a área afetada e impedir a entrada de microrganismos.

Por que algumas feridas não deixam cicatriz?

A pele é composta por três camadas: epiderme, derme e hipoderme. Lesões superficiais, que atingem apenas a epiderme, tendem a cicatrizar sem deixar marcas.

Já ferimentos mais profundos, que alcançam a derme, exigem um reparo mais complexo. Nesses casos, o corpo forma um novo tecido para substituir a área danificada, o que resulta na cicatriz.

Como as cicatrizes se formam

O processo de cicatrização começa com a formação de um coágulo sanguíneo, responsável por interromper o sangramento. Em seguida, o sistema imunológico atua para eliminar possíveis agentes invasores e preparar o local para a regeneração.

Depois disso, entram em ação os fibroblastos, células que produzem colágeno. Essa proteína cria uma estrutura resistente que funciona como um “remendo” no local da lesão.

Embora a ferida possa fechar rapidamente, a reorganização do tecido pode levar meses ou até anos.

Por que as cicatrizes não desaparecem totalmente

O tecido cicatricial é diferente da pele original. Ele é formado por fibras densas de colágeno, possui menos células e não contém estruturas como glândulas e folículos pilosos. Por isso, mesmo após a cicatrização, a região não recupera totalmente sua aparência inicial.

Com o tempo, a cicatriz pode se tornar menos visível, mas raramente desaparece por completo. Em alguns casos, o organismo produz colágeno em excesso, o que resulta em marcas mais evidentes. Nesses casos, essas cicatrizes podem assumir diferentes formas.

As marcas hipertróficas permanecem restritas ao local do ferimento, enquanto as queloides ultrapassam a área original da lesão. Esta última pode causar desconforto, como coceira, dor ou até limitação de movimento.

Como melhorar a aparência das cicatrizes

Embora não desapareçam completamente, as cicatrizes podem se tornar menos visíveis com o tempo, especialmente quando a ferida recebe os cuidados adequados desde o início.

  • Mantenha a ferida sempre limpa para evitar infecções;
  • Utilize curativos adequados enquanto a lesão estiver aberta;
  • Após o fechamento, aplique uma fina camada de pomada para proteger a pele;
  • Evite exposição direta ao sol, que pode escurecer a cicatriz;
  • Não remova crostas antes do tempo, para não prejudicar a cicatrização;
  • Procure orientação médica em caso de dor, coceira intensa ou crescimento anormal da cicatriz.
Acompanhe tudo sobre:Pesquisas científicasCuriosidadesSaúde

Mais de Ciência

Asteroide de até 1,6 km passará perto da Terra neste sábado; veja como observar

China realiza primeiro transplante simultâneo de fígado e rins de porco em humano

James Webb revela cometa que pode ter se formado antes do Sistema Solar

Anvisa aprova 1º medicamento não hormonal para ajudar mulheres contra ondas de calor da menopausa