'Ameba de fogo': nova espécie foi encontrada em águas termais do Parque Nacional de Lassen Volcanic, na Califórnia (Beryl Rappaport/Reprodução)
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Publicado em 27 de outubro de 2026 às 11h13.
Uma nova espécie de ameba descoberta em águas termais de um parque vulcânico nos Estados Unidos consegue se reproduzir a 63 °C, temperatura superior ao limite anteriormente considerado possível para organismos com células complexas. Apelidado de “ameba de fogo”, o microrganismo também pode resistir brevemente a temperaturas de até 70 °C.
A espécie, chamada Incendiamoeba cascadensis, foi identificada por pesquisadores da Universidade de Syracuse, nos Estados Unidos, no Parque Nacional Vulcânico de Lassen, na Califórnia.
O estudo, publicado na revista científica Cell, apresenta evidências de que organismos eucariontes podem sobreviver e se reproduzir em temperaturas mais elevadas do que se acreditava anteriormente.
A Incendiamoeba cascadensis consegue se reproduzir em temperaturas de até 63 °C e permanece viva e em movimento até 64 °C. Quando exposta a temperaturas ainda mais elevadas, a ameba pode entrar em um estado de dormência chamado cisto, que permite suportar brevemente até 70 °C.
Para investigar essa resistência, os pesquisadores sequenciaram e analisaram o genoma da espécie. Uma das hipóteses é que o microrganismo possua mecanismos capazes de manter suas proteínas e membranas celulares mais estáveis mesmo sob calor intenso.
A análise também sugere a presença de sistemas de reparação de proteínas danificadas e a capacidade de modificar o comportamento e a velocidade de deslocamento conforme a temperatura aumenta. Essas possíveis adaptações ainda estão sendo investigadas pelos cientistas.
Em 1972, dois pesquisadores publicaram um artigo científico defendendo que organismos eucariontes não conseguiriam sobreviver e se reproduzir em temperaturas superiores a 60 °C. Essa hipótese permaneceu como referência durante mais de cinco décadas.
Os eucariontes possuem células com estruturas internas complexas, incluindo um núcleo definido que abriga o material genético. Esse grupo inclui animais, plantas e amebas.
Já organismos como bactérias e arqueias possuem células procariontes, sem núcleo definido. Algumas dessas espécies conseguem sobreviver e se reproduzir em temperaturas superiores a 100 °C.
A descoberta da Incendiamoeba cascadensis mostrou que o limite de 60 °C não se aplica a todos os eucariontes. Ao conseguir se reproduzir a 63 °C, a nova espécie ultrapassou o limite anteriormente estabelecido para esse grupo de organismos.
A espécie foi descoberta nas fontes termais do Parque Nacional Vulcânico de Lassen, localizado na Califórnia, nos Estados Unidos. Esses ambientes apresentam temperaturas elevadas e abrigam organismos adaptados a condições extremas, conhecidos como extremófilos.
A ameba encontrada pelos pesquisadores é unicelular e microscópica, mas apresenta uma organização celular mais complexa do que a das bactérias.
A identificação da espécie amplia o conhecimento sobre a capacidade de organismos eucariontes de resistir a temperaturas elevadas. Os resultados também oferecem novas informações sobre os mecanismos celulares associados à sobrevivência em ambientes de calor extremo.