Infarto: São Paulo registrou a menor média de idade entre os locais analisados no levantamento (Freepik)
Redatora
Publicado em 4 de setembro de 2026 às 12h38.
O infarto agudo do miocárdio (IAM) apresentou um perfil mais jovem em São Paulo do que nos demais locais analisados do Brasil. Um levantamento da Rede D’Or apontou que os pacientes paulistas tinham, em média, 58 anos, indicando o menor resultado entre as regiões avaliadas.
O estudo avaliou 4.921 pessoas com suspeita de infarto entre janeiro de 2025 e março de 2026. Desse total, 2.194 receberam diagnóstico de IAM e 2.727 foram diagnosticados com angina instável.
A análise foi realizada em 59 unidades da Rede D’Or, distribuídas por São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Distrito Federal, Minas Gerais e Pernambuco. São Paulo e Rio de Janeiro concentraram 60% dos pacientes avaliados.
Entre os pacientes que sofreram infarto, as unidades do Rio de Janeiro concentraram o maior número de casos, com 764. São Paulo registrou 572 diagnósticos.
A idade média dos pacientes com IAM foi:
O levantamento identificou, portanto, uma diferença de até 12 anos na idade média entre os Estados analisados.
A pesquisa também mostrou que, dos 2.194 casos de infarto, 1.455 ocorreram sem supradesnivelamento do segmento ST. Outros 739 apresentaram supradesnivelamento, alteração associada à obstrução completa de uma artéria coronária.
A diferença de idade entre as regiões pode ter mais de uma explicação. Segundo Mariana Mancilha, gerente médica da Cardiologia D’Or, o estresse psicossocial está entre os fatores independentes associados ao infarto.
Em comunicado, a especialista também cita tabagismo, hipertensão, diabetes e dislipidemia entre os principais fatores de risco cardiovascular.
O estresse crônico pode provocar alterações neuro-hormonais, metabólicas e inflamatórias. Esses mecanismos podem contribuir para o desenvolvimento da aterosclerose, caracterizada pelo acúmulo de placas nas artérias.
Além do perfil dos pacientes, o levantamento avaliou indicadores relacionados ao atendimento de pessoas com suspeita de infarto.
Nas unidades analisadas, o intervalo entre a chegada ao pronto-socorro e a realização do primeiro eletrocardiograma foi de cinco minutos em média. O tempo é inferior ao limite de dez minutos recomendado pelas diretrizes da American Heart Association.
O eletrocardiograma é um dos primeiros exames utilizados na avaliação de pessoas com sintomas suspeitos de infarto. A rapidez na identificação do problema pode ajudar a direcionar o tratamento.
Entre os 4.921 pacientes avaliados, a taxa de mortalidade foi de 2,4%. Segundo o levantamento, a idade média dos pacientes que morreram foi aproximadamente dez anos maior do que a dos sobreviventes.
Embora alguns fatores de risco não possam ser modificados, diversas medidas ajudam a reduzir as chances de doenças cardiovasculares. Entre elas estão praticar atividade física regularmente, manter uma alimentação equilibrada e controlar pressão arterial, colesterol e diabetes.
Evitar o tabagismo também é uma das principais medidas de prevenção. O acompanhamento médico permite identificar fatores de risco e definir estratégias de controle.
Em caso de sintomas suspeitos de infarto, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente. A rapidez no diagnóstico e no tratamento é importante para reduzir o risco de complicações.