Denisovanos: novos fósseis encontrados na China ajudam a reconstruir a história de um dos grupos humanos arcaicos menos conhecidos (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)
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Publicado em 16 de setembro de 2026 às 09h47.
Novos fósseis encontrados no sudoeste da China estão ajudando cientistas a reconstruir a história dos denisovanos, um grupo de humanos arcaicos ainda pouco conhecido e geneticamente próximo dos neandertais.
Os achados incluem dentes, fragmentos do crânio e parte de um osso do braço que ainda não havia sido identificado em sítios associados aos denisovanos. Também foram encontrados instrumentos de pedra e osso e vestígios de animais caçados.
As descobertas foram apresentadas em dois estudos publicados na revista Nature e indicam que os denisovanos podem ter ocupado a região entre cerca de 190 mil e 70 mil anos atrás.
Os restos foram encontrados na caverna de Bianfu, localizada em uma região que conecta as montanhas do Tibete ao restante da China e às áreas tropicais do Sudeste Asiático.
Entre os materiais analisados estão dentes, fragmentos cranianos e parte de um rádio, osso localizado entre o pulso e o cotovelo. Segundo os pesquisadores, esse é o primeiro exemplar desse osso identificado em um contexto associado aos denisovanos.
Como não foi possível recuperar DNA dos fósseis, os cientistas recorreram à análise de proteínas antigas preservadas nos ossos e dentes. Fragmentos de colágeno e proteínas presentes no esmalte e na dentina permitiram associar os restos aos denisovanos.
O estudo também mostrou que o osso do braço apresenta características semelhantes às encontradas tanto em Homo sapiens quanto em neandertais.
Os denisovanos foram identificados pela primeira vez a partir de restos encontrados na caverna de Denisova, na Sibéria. O material inicial era extremamente limitado: alguns dentes e um fragmento do dedo de uma criança.
A análise genética mostrou, porém, que se tratava de uma linhagem de humanos arcaicos diferente daquela que deu origem à maior parte da população humana moderna. Eles tinham parentesco mais próximo com os neandertais, mas constituíam uma linhagem distinta.
Ao longo do tempo, estudos também demonstraram que denisovanos e Homo sapiens tiveram descendentes em comum. Atualmente, populações asiáticas carregam uma pequena proporção de DNA denisovano, enquanto grupos nativos da Austrália e da Melanésia podem apresentar uma contribuição genética maior.
Apesar dos avanços, os denisovanos ainda não possuem um nome científico formal consensual. Por isso, pesquisadores frequentemente se referem a eles como uma população ou linhagem.
O segundo estudo publicado na Nature analisou o ambiente e os vestígios arqueológicos encontrados na caverna.
Os pesquisadores estimam que os denisovanos tenham ocupado a região aproximadamente entre 190 mil e 70 mil anos atrás, indicando uma presença prolongada nessa parte da Ásia.
Na época, a paisagem provavelmente reunia florestas de coníferas e áreas abertas de estepe. O ambiente abrigava diferentes mamíferos de grande porte, incluindo cervos e búfalos, que teriam sido caçados pelos habitantes da região.
Os pesquisadores também encontraram ferramentas feitas de pedra e osso associadas aos fósseis. Os instrumentos eram relativamente simples e produzidos com técnicas rápidas. De acordo com o estudo, a tecnologia era menos elaborada do que a observada em alguns sítios ocupados por neandertais na Europa.
Mesmo assim, os artefatos indicam que os denisovanos conseguiam explorar os recursos disponíveis, fabricar ferramentas e caçar animais de grande porte.
A longa ocupação identificada na caverna sugere que esse conjunto de estratégias foi suficiente para permitir a permanência do grupo na região durante dezenas de milhares de anos.