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A geração do wellness? Geração Z consome bem-estar, mas se exercita menos

Gerações Z e Alfa têm se destacado em relatórios de mercado sobre o mundo fitness e do bem-estar no geral. Mas indicadores mostram que ainda há um longo caminho pela frente

Gen Z e Alfa: a geração do wellness também enfrenta sedentarismo (Vulcabrás/Divulgação)

Gen Z e Alfa: a geração do wellness também enfrenta sedentarismo (Vulcabrás/Divulgação)

Marina Semensato
Marina Semensato

Colaboradora

Publicado em 19 de março de 2026 às 11h33.

As gerações mais jovens cresceram cercadas por informação na ponta dos dedos. Se antes era necessário ir até o jornal ou a banca para se atualizar, ou correr até a biblioteca para tirar uma dúvida sobre qualquer coisa, hoje basta tirar o telefone do bolso para ter respostas em poucos segundos.

Entre tantos temas abordados diariamente nas redes sociais e na internet, está o bem-estar. Nas redes sociais, vídeos sobre rotinas saudáveis, atividades físicas, dietas e cuidados com a saúde mental aparecem o tempo todo — muitas vezes logo cedo, quando o celular é a primeira coisa que se pega ao acordar.

Esse ambiente digital molda especialmente duas gerações: a Z, formada por pessoas nascidas entre 1995 e 2010, que cresceu durante a expansão da internet e das redes sociais; e a Alfa, nascida a partir de 2010, que já veio ao mundo totalmente conectada.

Não por acaso, a Gen Z vem sendo apontada como um dos motores da economia do bem-estar. Para muitos jovens, cuidar do corpo e da mente virou parte do estilo de vida — tanto que essa faixa etária foi a que mais gastou dinheiro com esportes em 2025, segundo o 12º Relatório Anual de Tendências Esportivas do Strava.

Contradições

Enquanto pesquisas de mercado apontam as gerações mais novas como grandes responsáveis pelo crescimento do mercado fitness e de bem-estar, relatórios de autoridades mostram o contrário: essas faixas etárias também enfrentam piora em alguns indicadores de saúde.

No Brasil, por exemplo, o país lidera o sedentarismo na América Latina e ocupa a quinta posição no ranking mundial, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A falta de atividade física está associada a cerca de 300 mil mortes por ano, principalmente por doenças crônicas.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que 47% dos adultos brasileiros são sedentários. Entre os jovens, o percentual é ainda maior: 84%.

A geração Alfa também preocupa — principalmente pela falta de dados que temos acerca da saúde desses jovens no Brasil e no mundo. Informações de 2019 da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que cerca de 80% dos adolescentes entre 11 e 17 anos no mundo não praticam o nível mínimo recomendado de atividade física.

Adolescência vira foco de novas iniciativas

Com adolescentes correndo o perigo de ficarem imersos nas telas — e ficando cada vez mais sedentários ao dedicar muitas horas do dia para os eletrônicos — especialistas começaram a olhar com mais atenção para essa fase da vida, que é muito importante para a formação de novos hábitos.

Uma das iniciativas é o QGEN, programa da Les Cinq Gym, academia em São Paulo, voltado para jovens de 12 a 17 anos. A proposta é oferecer treinos adaptados ao corpo em desenvolvimento e incentivar uma relação mais saudável com a atividade física.

Como adolescentes da mesma idade podem estar em estágios muito diferentes de maturação física, o treino não é definido apenas pela faixa etária. "Quando um programa de exercícios é planejado somente pela faixa etária, corre-se o risco de subestimar adolescentes mais maduros ou, o que é mais preocupante, sobrecarregar aqueles que ainda estão em fases iniciais de desenvolvimento", explica Waldyr Maciel, professor da Les Cinq Gym.

O programa propõe musculação orientada, exercícios funcionais e aulas de jiu-jitsu. A musculação é um dos pilares do projeto, mas sem focar na hipertrofia, e sim no desenvolvimento da resistência muscular, da coordenação e da execução correta dos movimentos.

Segundo Rodrigo Sangion, profissional de educação física e CEO da Les Cinq Gym, a proposta também é criar um ambiente de socialização fora das telas. "Queremos que os adolescentes se sintam acolhidos em treinos pensados para eles. Todo o trabalho partirá de avaliações periódicas que acompanham o desenvolvimento de cada aluno e, quando necessário, inclui orientação nutricional", afirma.

Dependendo das regras de cada escola, o programa também pode funcionar como complemento às aulas de educação física tradicionais, com autorização dos adolescentes e de seus responsáveis.

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