Ciência

'Devoradores de Estrelas': o que é real e o que é ficção na ciência do filme?

Filme com Ryan Gosling mistura ideias plausíveis e hipóteses ainda não comprovadas

Ryan Gosling: ator do filme 'Projeto Alves Maria' (Sony/Divulgação)

Ryan Gosling: ator do filme 'Projeto Alves Maria' (Sony/Divulgação)

Publicado em 25 de março de 2026 às 14h47.

O filme “Devoradores de Estrelas”, estrelado por Ryan Gosling, mistura ficção científica com conceitos reais de áreas como astrofísica, química e microbiologia. Mas até que ponto a ciência apresentada na produção é plausível?

Em entrevista à revista Science, a astrônoma Wendy Freedman, da Universidade de Chicago, analisou os principais pontos do filme e avaliou o nível de realismo da narrativa.

O que o filme 'Devoradores de Estrelas' acerta na ciência?

Segundo Freedman, um dos principais méritos de “Devoradores de Estrelas” está na forma como retrata o trabalho científico.

A personagem principal, Ryland Grace, segue um método baseado em hipóteses, testes e revisão de resultados — um processo considerado fiel à prática científica real. Além disso, a colaboração entre cientistas, elemento central na trama, também reflete o funcionamento da ciência fora da ficção.

A especialista também destaca o uso de conceitos como relatividade e a representação de equipamentos científicos, que se aproximam do que é utilizado em pesquisas reais.

Vida sem água é possível?

Um dos pontos centrais da história é a hipótese de vida que não depende de água, ideia que ainda não foi comprovada pela ciência.

De acordo com Freedman, essa possibilidade não pode ser descartada. A descoberta de exoplanetas com características muito diferentes do Sistema Solar reforça que o universo pode abrigar formas de vida baseadas em outros princípios.

Ainda assim, trata-se de uma questão em aberto, já que não há evidências concretas de vida fora da Terra até o momento.

Exageros e limites da narrativa

A entrevista também aponta que alguns elementos foram ampliados para efeito dramático.

Um exemplo é o isolamento do protagonista pela comunidade científica após defender ideias consideradas controversas. Embora existam disputas e rejeições no meio acadêmico, a especialista avalia que o nível de hostilidade mostrado no filme é exagerado.

Outro ponto é a tomada de decisões em cenários extremos. Em situações que envolvem riscos globais, como uma ameaça à sobrevivência da humanidade, as reações podem fugir dos protocolos tradicionais.

Com isso, para a astrônoma, o “Devoradores de Estrelas” combina ideias especulativas com fundamentos científicos consistentes.

O resultado é uma narrativa que não abandona o rigor científico, mas utiliza a ficção para explorar possibilidades ainda não comprovadas.

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