Ciência

Como o clima pode afetar a performance dos jogadores na Copa do Mundo de 2026

Estudo indica que 10 dos 16 estádios da Copa de 2026 apresentam risco muito alto de estresse térmico extremo

 (Imagem gerada por IA)

(Imagem gerada por IA)

Publicado em 24 de maio de 2026 às 06h01.

A menos de um mês da Copa do Mundo de 2026, que será disputada nos Estados Unidos, Canadá e México, o debate sobre o impacto do clima na performance dos atletas ganha força dentro das federações e comissões técnicas.

A combinação de calor extremo, altitude, frio e variações bruscas de temperatura coloca a edição do torneio sob um desafio físico e logístico inédito.

Uma pesquisa publicada em outubro de 2024 na revista Scientific Reports analisou as 16 cidades-sede do torneio e identificou que dez estádios apresentam risco muito alto de estresse térmico extremo para os jogadores.

O estudo, conduzido por pesquisadores da Queen’s University Belfast, University of Portsmouth e St. Mary’s University, utilizou o índice UTCI ajustado, que incorpora variáveis fisiológicas específicas de atletas de futebol, como produção de calor metabólico e perda de fluidos.

Segundo os autores, sedes como Arlington, Houston e Monterrey podem atingir condições próximas do limite de compensação do corpo humano, com perda de água superior a 1,5 kg por hora em jogos disputados à tarde.

A crítica central do estudo é que parte das partidas pode ocorrer em níveis de calor em que o organismo já não consegue manter o equilíbrio térmico adequado durante o esforço físico.

O impacto do calor no futebol já é amplamente documentado. Em condições de alta temperatura e umidade, jogadores tendem a reduzir a intensidade de corrida, o número de sprints e as ações explosivas.

Na prática, isso altera a dinâmica das partidas: o jogo tende a ficar mais lento, com menos pressão alta e menor frequência de transições rápidas.

A consequência direta é a redução da intensidade competitiva, especialmente em ações decisivas como arrancadas, recomposição defensiva e contra-ataques em velocidade.

Os impactos do clima não se restringem ao desgaste físico. Estudos indicam que o calor também pode afetar a precisão técnica e a tomada de decisão dos atletas.

Ambientes quentes e úmidos aumentam a demanda fisiológica do organismo, o que pode comprometer a eficiência neuromuscular e cognitiva. Isso se reflete em mais erros de passe, decisões mais lentas e queda na qualidade das finalizações.

Nos minutos finais das partidas, o efeito tende a se intensificar, com aumento da fadiga e queda de rendimento coletivo.

Copa de 2026 terá extremos climáticos

A edição de 2026 será disputada em 16 cidades distribuídas entre três países e diferentes zonas climáticas. Isso significa que uma seleção poderá atuar sob calor intenso em uma partida e, dias depois, enfrentar frio ou clima seco em outro local.

Essa variação constante dificulta a aclimatação dos atletas, que precisam ajustar continuamente mecanismos de hidratação, termorregulação e recuperação física.

Na prática, a Copa exigirá não apenas preparação técnica, mas capacidade de adaptação rápida a condições ambientais completamente distintas ao longo do torneio.

Além do calor, a altitude nas sedes mexicanas também preocupa. A menor concentração de oxigênio reduz a capacidade aeróbica e aumenta a sensação de esforço durante o jogo.

Isso impacta diretamente o padrão de movimentação das equipes, já que a recuperação entre sprints se torna mais lenta.

Já o frio pode aumentar o risco de lesões musculares, enquanto chuva e vento interferem na trajetória da bola e no controle técnico das jogadas.

Adaptação pode virar vantagem competitiva

A literatura científica indica que equipes aclimatadas a determinadas condições climáticas têm desempenho superior em relação a adversários menos adaptados.

Estratégias como preparação em ambientes simulados, controle de hidratação e gestão de carga física tendem a ganhar importância na preparação para o torneio.

O clima, nesse contexto, deixa de ser apenas uma variável ambiental e passa a funcionar como um fator competitivo relevante dentro da Copa do Mundo.

Diante das evidências sobre estresse térmico, a FIFA passou a adotar medidas de mitigação. Em dezembro de 2025, a entidade determinou pausas obrigatórias para hidratação em todas as partidas da Copa de 2026.

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