Estresse: um comportamento específico supera outros fatores de bem-estar quando o assunto é enfrentar a pressão profissional (dolgachov/Thinkstock)
Freelancer
Publicado em 14 de junho de 2026 às 10h40.
O estresse profissional se tornou uma das maiores preocupações da vida moderna. Pressão por resultados, insegurança econômica, excesso de responsabilidades e a dificuldade de desconectar do trabalho têm contribuído para um aumento dos problemas de saúde física e mental em diversas partes do mundo.
Agora, uma pesquisa de longo prazo, feita por pesquisadores da Universidade do Estado do Arizona, Universidade Brandeis e Universidade Humboldt de Berlim, trouxe uma resposta importante para uma pergunta cada vez mais urgente: qual hábito saudável realmente faz mais diferença quando o assunto é proteger o organismo dos efeitos do estresse no trabalho?
O estudo acompanhou dados de saúde de 2.871 trabalhadores canadenses ao longo de dez anos. A pesquisa foi publicada no dia 31 de maio na revista científica Occupational Health Science e analisou como diferentes comportamentos saudáveis influenciavam a capacidade do organismo de lidar com o estresse ocupacional.
Os pesquisadores avaliaram cinco hábitos frequentemente associados ao bem-estar: alimentação saudável, prática de exercícios físicos, qualidade do sono, consumo moderado de álcool e ausência do tabagismo. O objetivo era identificar qual deles oferecia a maior proteção contra os impactos negativos do trabalho sobre a saúde.
“Alguns comportamentos oferecem proteção real contra o estresse específico. Outros estavam ligados à saúde em geral, mas não pareceram atenuar os efeitos do estresse no trabalho especificamente”, diz trecho do estudo publicado em The Conversation.
Os resultados mostraram que todos os comportamentos analisados trazem benefícios gerais para a saúde. Porém, quando o foco era especificamente reduzir os danos causados pelo estresse profissional, alguns hábitos se mostraram mais eficazes do que outros.
Os autores destacaram que “alguns comportamentos pareceram oferecer uma proteção real e específica contra o estresse. Outros estavam associados à saúde em geral, mas não pareciam amortecer especificamente os efeitos do estresse relacionado ao trabalho”.
Entre todos os hábitos avaliados, a qualidade do sono foi apontada como o principal mecanismo de proteção contra os efeitos do estresse ocupacional.
Segundo os pesquisadores, “a qualidade do sono se destacou como o amortecedor mais forte contra os custos do estresse do trabalho para a saúde”. Eles acrescentam que “um bom sono favorece a atenção, a regulação emocional, a recuperação e o autocontrole necessário para manter outros comportamentos saudáveis”.
Os cientistas ainda observam que o sono funciona menos como uma escolha saudável entre várias opções e mais como um recurso fundamental para sustentar todas as demais práticas de bem-estar.

Embora o estudo não tenha investigado diretamente os mecanismos biológicos responsáveis por esse efeito, os pesquisadores apontam algumas hipóteses.
Uma delas é que pessoas descansadas conseguem lidar melhor com conflitos, tomar decisões mais equilibradas e evitar erros que acabam aumentando ainda mais a pressão no ambiente profissional. Além disso, pesquisas anteriores já demonstraram que o sono desempenha um papel essencial na recuperação cerebral e na manutenção das funções cognitivas.
Outro fator relevante é que noites mal dormidas costumam prejudicar outros comportamentos saudáveis. Cansaço excessivo pode reduzir a disposição para praticar exercícios, favorecer escolhas alimentares menos equilibradas e dificultar o controle emocional diante de situações desafiadoras.
Os autores ressaltam que os níveis de estresse vividos atualmente são alimentados por uma combinação de fatores sociais e econômicos, incluindo incertezas profissionais, aumento do custo de vida e acúmulo de responsabilidades pessoais e familiares. Nesse contexto, preservar a qualidade do sono pode representar uma das estratégias mais eficazes para evitar o esgotamento físico e psicológico.
Os resultados reforçam que combater o estresse não depende apenas de força de vontade ou produtividade. A capacidade de recuperação do organismo também precisa ser tratada como prioridade.