Colaboradora
Publicado em 15 de maio de 2026 às 06h15.
A Copa do Mundo de 2026 pode ser marcada por um problema além das quatro linhas: o calor extremo. Uma nova análise publicada pelo World Weather Attribution (WWA) aponta que cerca de 25% dos jogos do torneio devem acontecer em condições consideradas preocupantes para atletas e torcedores.
Segundo o levantamento, parte das partidas disputadas nos Estados Unidos, México e Canadá acontecerá com níveis elevados de calor e umidade, aumentando o risco de estresse térmico durante os jogos.
O estudo utiliza como base a Temperatura de Bulbo Úmido e Globo (WBGT), índice usado internacionalmente para medir o impacto do calor no corpo humano durante atividades físicas ao ar livre.
De acordo com a análise, pelo menos 25% das partidas devem registrar índices acima de 26°C de WBGT. Nessas situações, a FIFPRO, entidade que representa jogadores profissionais, já recomenda a adoção de medidas de proteção, como pausas para resfriamento e protocolos específicos de hidratação.
O cenário mais preocupante envolve ao menos cinco jogos da Copa. A previsão é que essas partidas aconteçam com WBGT superior a 28°C, faixa considerada insegura para a prática esportiva de alto rendimento.
O WBGT é utilizado para medir o nível de estresse térmico no corpo humano durante atividades realizadas sob exposição ao sol. Diferentemente da temperatura tradicional, o cálculo considera diferentes fatores climáticos ao mesmo tempo.
Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), o índice leva em conta:
O relatório também destaca que os riscos relacionados ao calor extremo são maiores do que os registrados na Copa do Mundo de 1994, disputada igualmente na América do Norte.
Especialistas envolvidos no estudo alertam que os impactos do calor extremo vão muito além do desconforto durante as partidas. As projeções preocupam Chris Mullington, professor do Imperial College London e um dos colaboradores da pesquisa.
“Quando o WBGT passa de 26°C, o desempenho dos jogadores já pode ser afetado. Acima de 28°C, o risco de doenças graves relacionadas ao calor se torna ainda mais preocupante, tanto para atletas quanto para os torcedores presentes nos estádios e eventos ao ar livre”, explicou.
O estudo também identificou quais cidades-sede apresentam maior risco de calor extremo durante o torneio. Miami aparece como o local mais preocupante entre todas as sedes da Copa.
E a seleção brasileira pode ser diretamente impactada. O duelo contra a Escócia, válido pela terceira rodada da fase de grupos, está marcado justamente para Miami, cidade que tem praticamente certeza de registrar calor intenso durante o Mundial.
Kansas City também aparece entre os locais de atenção, mesmo com partidas programadas mais para o final do dia.
Um dos exemplos citados pela análise é o confronto entre Holanda e Tunísia. A pesquisa aponta cerca de 7% de chance de o jogo ultrapassar os 28°C de WBGT, faixa que, segundo as diretrizes da FIFPRO, pode justificar até um adiamento.
No Texas, cidades como Dallas e Houston também preocupam. Apesar dos estádios climatizados, os pesquisadores destacam que as áreas externas das arenas podem registrar índices acima de 28°C em mais de 30% das partidas.
Nova Jersey, sede da final da Copa do Mundo, também aparece em alerta. O estudo indica que o risco de interrupção por calor extremo aumentou cerca de 50% em relação à Copa de 1994.
“O fato de até a final da Copa correr risco de ser disputada em condições extremas deve servir como alerta para a Fifa e para os torcedores”, afirmou Friederike Otto, professora de Ciência Climática do Imperial College London.
Os pesquisadores também reforçam que as mudanças climáticas aumentaram significativamente a probabilidade de eventos extremos como esse.
Durante exercícios físicos intensos sob calor elevado, os efeitos no corpo podem ser graves. Entre os problemas mais comuns estão câimbras, fadiga extrema, tontura e exaustão térmica.
Nos casos mais severos, a insolação pode elevar a temperatura corporal acima dos 40°C, trazendo risco neurológico.
tontura;
sensação de desmaio;
dores musculares;
náusea e vômitos;
visão embaçada;
convulsões;
dificuldade de coordenação motora.
Por isso, especialistas destacam que as pausas para hidratação serão fundamentais durante a Copa, ajudando a reduzir a temperatura corporal e diminuindo a sobrecarga física tanto para atletas quanto para torcedores expostos ao calor por longos períodos.