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Prefeitura do Rio lança IA própria e diz superar modelos populares em desempenho

Modelo Rio 3.5 Open 397B, da IplanRio, combina arquiteturas abertas dos modelos chineses Qwen 3.5 e Nex-N2 Pro

O IplanRio gastou R$ 500 mil no desenvolvimento da IA, valor descrito como cerca de 30 vezes menor que o de um sistema de IA “de prateleira” (Imagem gerada por IA/Reprodução)

O IplanRio gastou R$ 500 mil no desenvolvimento da IA, valor descrito como cerca de 30 vezes menor que o de um sistema de IA “de prateleira” (Imagem gerada por IA/Reprodução)

André Lopes
André Lopes

Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 14 de junho de 2026 às 12h52.

Última atualização em 16 de junho de 2026 às 15h53.

A prefeitura do Rio de Janeiro publicou como open source um modelo de inteligência artificial de grande porte e colocou uma estatal municipal brasileira em um campo dominado por empresas como OpenAI, Google, Alibaba e DeepSeek. O Rio 3.5 Open 397B foi disponibilizado pela IplanRio, empresa de tecnologia da administração municipal, com pesos abertos e licença MIT.

No caso do Rio 3.5, o avanço reivindicado vinha de duas etapas. A primeira era o pós-treino sobre uma base já existente, para melhorar respostas em determinados tipos de tarefa. A segunda era uma técnica chamada SwiReasoning, que alteraria a forma como o modelo organiza o raciocínio antes de responder.

Depois da divulgação no domingo, porém, a página do modelo no Hugging Face, plataforma usada para publicar modelos de IA, foi alterada. O texto passou a indicar que o Rio 3.5 usa model merge, fusão de pesos de modelos, combinando arquiteturas públicas do Qwen 3.5, da Alibaba, e do Nex-N2 Pro, da Nex-AGI. Na prática, isso significa que o modelo não teria sido treinado do zero, mas construído a partir da combinação matemática de modelos abertos já existentes.

Em nota, a IplanRio afirma que as duas tecnologias têm licenças abertas que autorizam modificação e aprimoramento por terceiros. A empresa municipal diz que escolheu essa abordagem por eficiência e responsabilidade fiscal, com o objetivo de reduzir o custo de processamento computacional para o município.

A explicação também altera a leitura sobre o estágio do projeto. Segundo a IplanRio, o cronograma previa que, depois da composição inicial das arquiteturas abertas, o modelo passasse por pós-treinamento e refinamento nativo, com uma técnica chamada On-Policy Distillation, na qual um modelo aprende a imitar respostas de outro mais potente para ser ajustado a um uso específico.

O problema, segundo a própria empresa municipal, foi operacional. A IplanRio diz que, por falha humana na publicação no Hugging Face, foram enviados arquivos de teste da fusão preliminar dos modelos, em vez da versão final refinada. Esse erro, de acordo com a nota, fez com que o modelo temporariamente disponível respondesse com traços da base original da Nex-AGI.

Após a inconsistência ser apontada por pesquisadores, a IplanRio atualizou o arquivo descritivo do projeto, o README, para dar crédito ao Nex-N2 Pro e corrigir a omissão inicial. A empresa também afirma ter revisado seus fluxos internos de governança, auditoria e compliance da infraestrutura de dados.

A companhia diz ainda que a equipe técnica trabalha no envio da versão final do Rio 3.5, processada com diretrizes e dados específicos da Prefeitura do Rio. Até que essa nova versão seja publicada e testada de forma independente, não é possível confirmar se a etapa de distillation foi concluída nem medir o desempenho real do modelo final.

Também permanecem pontos técnicos em aberto. Um deles é a janela de contexto: a configuração efetiva aparece como 262 mil tokens, enquanto o anúncio menciona 1 milhão com técnicas adicionais de escalonamento.

Leia a íntegra da nota do IplanRio

A IplanRio reitera que o ecossistema global de inteligência artificial baseia-se fundamentalmente na colaboração e no código aberto (open source). O desenvolvimento do projeto Rio 3.5 utiliza a técnica de fusão de pesos (model merge), combinando as arquiteturas públicas do Qwen 3.5 (Alibaba) e do Nex-N2 Pro (Nex-AGI). Ambas as tecnologias são regidas por licenças abertas que autorizam, incentivam e têm como propósito a modificação e o aprimoramento por terceiros. Essa abordagem foi escolhida pela instituição justamente por sua alta eficiência e responsabilidade fiscal, permitindo entregar resultados robustos com baixo custo de processamento computacional para o município.

O cronograma do projeto previa que, após a composição inicial das arquiteturas abertas, o modelo passasse por um processo de pós-treinamento e refinamento nativo (on-policy distillation) conduzido pela equipe técnica, para sua devida customização à realidade do município. Contudo, devido a uma falha humana e estritamente operacional durante a etapa de publicação na plataforma Hugging Face, foram subidos os arquivos de testes da fusão preliminar dos modelos, em vez da versão final refinada. Esse erro material fez com que o modelo temporariamente disponibilizado respondesse com traços da base de dados original da Nex-AGI.

Assim que a inconsistência foi identificada pela comunidade de pesquisadores — cujo escrutínio e colaboração são pilares que a IplanRio apoia e incentiva —, a instituição agiu de forma imediata e transparente.

O arquivo descritivo (README) do projeto foi atualizado prontamente para dar o devido crédito e a atribuição transparente ao modelo Nex-N2 Pro, corrigindo a omissão inicial;

Os fluxos internos de governança e publicação foram revisados para auditoria e compliance da infraestrutura de dados e a a equipe técnica já trabalha no upload da versão final, processada pelas diretrizes e dados específicos da Prefeitura do Rio.

A IplanRio reafirma seu compromisso com a inovação tecnológica na gestão pública, pautada pela transparência e pelo estrito respeito às normas da comunidade global de software livre. O Rio 3.5 segue sua trajetória para se tornar uma ferramenta pioneira de eficiência e atendimento ao cidadão carioca.

Mais do que uma inovação técnica, o Rio 3.5 foi concebido para gerar retornos práticos e diretos para a gestão pública do Rio de Janeiro. Ao desenvolver uma inteligência artificial baseada em código aberto, o município assegura sua soberania tecnológica e garante total independência de fornecedores internacionais de software proprietário, eliminando a dependência de licenças caras pagas em moeda estrangeira. Na prática, essa tecnologia será aplicada diretamente na melhoria e agilização dos serviços públicos oferecidos ao cidadão carioca — como a otimização dos sistemas de atendimento, triagem de chamados de zeladoria e suporte à saúde —, promovendo uma severa redução de custos operacionais para a máquina pública.

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