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Efeito Trump: Copa do Mundo chega aos EUA ofuscada por operações imigratórias e guerra do Irã

Torneio deve atrair turistas aos EUA, mas projeções ainda ficam abaixo do nível pré-pandemia

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 3 de junho de 2026 às 19h02.

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As preocupações com operações migratórias em estádios e áreas destinadas aos torcedores, somadas às dificuldades para obtenção de vistos de turismo e ao aumento dos custos de viagem provocado pela guerra do Irã, reduziram o entusiasmo em torno da Copa do Mundo nos Estados Unidos e impactaram as expectativas da indústria turística local para o evento.

Os indicadores registrados em 2025 já apontavam um cenário menos favorável. Entre eles, a queda de 5,5% no número de visitantes internacionais em comparação com 2024 — o maior recuo em duas décadas, excluindo o período da pandemia — e a procura abaixo do esperado pelo Mundial de Clubes realizado no país, competição que teve apenas 62% dos ingressos comercializados.

Os dois movimentos estão ligados, em parte, ao aumento da percepção negativa sobre os Estados Unidos em diversos países, fenômeno identificado por pesquisas realizadas desde o retorno de Donald Trump à Presidência, no ano passado.

Política anti-imigração e resiliência do turismo

O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa sobre o conflito no Irã na Sala de Imprensa James S. Brady da Casa Branca, em 6 de abril de 2026, em Washington, DC.

Donald Trump: presidente dos Estados Unidos reforçou medidas para conter a imigração no país (Kent Nishimura/AFP)

 

Outro fator apontado é o endurecimento das políticas migratórias adotadas pela atual administração, em um país que já possuía controles fronteiriços considerados rigorosos.

Embora haja expectativa de crescimento na chegada de turistas estrangeiros durante a Copa, as projeções indicam uma recuperação limitada. A estimativa para 2026 é de 70 milhões de visitantes internacionais, número ainda inferior ao recorde de 79 milhões registrado em 2019, antes da pandemia.

Segundo a consultoria Oxford Economics, o torneio deverá gerar cerca de 742 mil viagens especificamente motivadas pela competição.

Ainda assim, levantamento da Associação Americana de Hotéis e Hospedagens mostra que 80% dos hoteleiros consultados nas cidades que receberão partidas afirmam que o volume de reservas para as cinco semanas do Mundial está abaixo das expectativas traçadas inicialmente.

O mesmo relatório aponta que quase 70% dos entrevistados atribuem a demanda mais fraca de turistas internacionais às restrições relacionadas aos vistos — apesar da implementação do sistema Visa Pass para acelerar o atendimento de torcedores com ingressos — e às atuais tensões geopolíticas.

Nesse contexto, a guerra do Irã, as negociações sem avanços com Teerã para encerrar o conflito e os impactos econômicos decorrentes do fechamento do Estreito de Ormuz aparecem entre os fatores que podem reduzir o interesse de visitantes estrangeiros. Um dos efeitos observados é o aumento do custo do querosene utilizado pelas companhias aéreas.

'Clima de medo'

Paralelamente, a União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) e outras organizações de direitos humanos divulgaram um alerta direcionado a torcedores, atletas e jornalistas. No documento, destacam a "guerra ilegal de Trump com o Irã" e a ampliação da relação de países cujos cidadãos enfrentam restrições ou proibições de entrada nos Estados Unidos, salvo exceções previstas.

De acordo com essas entidades, a lista já reúne 40 países e territórios e inclui quatro seleções classificadas para a Copa: Haiti, Costa do Marfim, Senegal e Irã.

Mesmo com três partidas da fase de grupos programadas para cidades americanas, a seleção iraniana decidiu transferir sua base de treinamento de Tucson, no Arizona, para Tijuana, no México.

Também pesa sobre o ambiente do torneio a atuação do Serviço de Imigração e Controle Alfandegário dos Estados Unidos (ICE), que desde 2025 realiza operações voltadas à detenção e deportação de imigrantes sem documentação. O diretor da força-tarefa da Casa Branca para a Copa, Andrew Giuliani, afirmou que não descarta ações desse tipo durante a competição, argumentando que a segurança nacional é prioridade.

Em abril, a Human Rights Watch (HRW) advertiu que o Mundial "começará em um clima de medo" em razão das campanhas anti-imigração promovidas por Trump. A entidade informou ainda que, entre janeiro de 2025 e março de 2026, ao menos 167 mil pessoas foram detidas pelo ICE nas 11 cidades americanas que receberão jogos do torneio.

A organização sustenta que a dimensão e a exposição dessas operações, nas quais afirma haver aplicação de critérios raciais, tendem não apenas a reduzir o fluxo de visitantes internacionais, mas também a afastar parte dos torcedores que vivem nos Estados Unidos, independentemente de sua situação migratória, de eventos públicos, comemorações de rua, fan zones e partidas da competição.

*Com informações das agências EFE e AFP.

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