Ciência

Cientistas criam spray nasal que reverte envelhecimento cerebral

Pesquisa publicada no Journal of Extracellular Vesicles mostrou melhora cognitiva após duas doses de um spray nasal voltado ao envelhecimento cerebral

Publicado em 31 de maio de 2026 às 06h02.

Pesquisadores da Texas A&M University desenvolveram um spray nasal que, segundo um novo estudo, é capaz de reverter o envelhecimento cerebral e restaurar a memória em modelos experimentais.

Os resultados foram publicados no Journal of Extracellular Vesicles.

O tratamento usa partículas biológicas microscópicas chamadas vesículas extracelulares, carregadas com microRNAs — moléculas que regulam processos biológicos no cérebro. A entrega intranasal permite que o composto atravesse a barreira protetora do cérebro e chegue diretamente ao tecido cerebral, sem procedimentos invasivos.

"O modo de entrega é um dos aspectos mais empolgantes da nossa abordagem. A entrega intranasal nos permite alcançar e tratar o cérebro diretamente, sem procedimentos invasivos", disse Maheedhar Kodali, um dos pesquisadores sênior do estudo.

O foco do tratamento é a chamada "neuroinflamação", um processo de inflamação crônica de baixo nível que ocorre no cérebro com o envelhecimento e está associado a perda de memória, dificuldades cognitivas e doenças neurodegenerativas como o Alzheimer.

O spray atuou em sistemas inflamatórios específicos ligados ao envelhecimento cerebral e também restaurou a atividade das mitocôndrias, as estruturas responsáveis pela produção de energia nas células.

"Estamos devolvendo a faísca aos neurônios ao reduzir o estresse oxidativo e reativar as mitocôndrias do cérebro", disse Madhu Leelavathi Narayana, outra pesquisadora sênior envolvida no estudo.

Os resultados práticos chamam atenção: após apenas duas doses, os modelos tratados apresentaram melhora significativa em testes de memória e reconhecimento, com efeitos que duraram meses.

O estudo também identificou respostas semelhantes entre os dois sexos, algo que os pesquisadores descrevem como incomum em estudos biomédicos.

"O envelhecimento cerebral pode ser revertido, para ajudar as pessoas a permanecerem mentalmente alertas, socialmente engajadas e livres do declínio relacionado à idade", afirmou Ashok Shetty, professor e diretor associado do Instituto de Medicina Regenerativa da Texas A&M, que liderou a pesquisa.

A equipe já depositou uma patente nos Estados Unidos relacionada à terapia. Ainda são necessários estudos adicionais antes de testes em humanos, mas os pesquisadores acreditam que a abordagem pode ter aplicações mais amplas no futuro, incluindo na recuperação de pacientes com derrame e no tratamento do declínio cognitivo ligado ao envelhecimento.

Nos Estados Unidos, os casos anuais de demência devem dobrar até 2060, chegando a cerca de 1 milhão.

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