Ciência

Esculturas de pássaros de 40 mil anos revelam pistas sobre primeiros humanos

Estatuetas descobertas em uma caverna na Alemanha reforçam a hipótese de que arte e simbolismo ajudaram o Homo sapiens a sobreviver durante a Era do Gelo

Hohle Fels: caverna alemã revelou duas novas esculturas esculpidas em marfim de mamute (Universidade de Tübingen)

Hohle Fels: caverna alemã revelou duas novas esculturas esculpidas em marfim de mamute (Universidade de Tübingen)

Publicado em 3 de agosto de 2026 às 09h06.

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Duas pequenas esculturas de pássaros encontradas na caverna de Hohle Fels, no sudoeste da Alemanha, estão oferecendo novas pistas sobre a expansão dos primeiros Homo sapiens pela Europa. Esculpidas em marfim de mamute há cerca de 40 mil anos, as peças reforçam a hipótese de que avanços culturais, artísticos e simbólicos ajudaram esses grupos humanos a se adaptar às condições da Era do Gelo.

De acordo com a revista Nature, os artefatos foram encontrados durante as escavações realizadas em 2025 e apresentados no Museu de Pré-História e Arte da Era do Gelo, em Blaubeuren, na Alemanha.

Caverna reúne alguns dos objetos mais antigos já produzidos por humanos

A caverna de Hohle Fels é considerada um dos sítios arqueológicos mais importantes da Europa para o estudo do período Aurignaciano, associado aos primeiros Homo sapiens que ocuparam o continente.

Nas últimas décadas, arqueólogos recuperaram no local peças que se tornaram referências da arte pré-histórica, como a Vênus de Hohle Fels, considerada a estatueta humana mais antiga conhecida, além de uma flauta feita de osso de abutre, entre os instrumentos musicais mais antigos já descobertos.

Agora, Hohle Fels revelou duas novas estatuetas de pássaros com cerca de dois a três centímetros de comprimento. Uma delas representa a ave em repouso, enquanto a outra parece retratá-la com as asas abertas, possivelmente em voo.

Duas estatuetas de pássaros esculpidas em marfim de mamute, vistas de diferentes ângulos. Foto: Universidade de Tübingen

Duas estatuetas de pássaros esculpidas em marfim de mamute, vistas de diferentes ângulos. Foto: Universidade de Tübingen (Universidade de Tübingen)

Vênus de Hohle Fels e flauta esculpida em osso de abutre. Foto: Universidade de Tübingen

Vênus de Hohle Fels e flauta esculpida em osso de abutre. Foto: Universidade de Tübingen (Universidade de Tübingen)

Arte pode revelar mudanças na evolução cultural

Para os pesquisadores, o conjunto de esculturas encontrado em Hohle Fels demonstra um elevado nível de habilidade artística e simbolismo entre os grupos humanos que viveram na região há cerca de 40 mil anos.

Segundo Nicholas Conard, responsável pelas escavações desde a década de 1990, esse desenvolvimento cultural pode ter sido decisivo para que esses grupos prosperassem na Europa, enquanto outras populações desapareceram.

Especialistas afirmam que as esculturas provavelmente tinham funções que iam além da representação artística. Entre as hipóteses levantadas estão seu uso em narrativas, rituais, preservação de memórias, expressão da identidade de grupos ou cerimônias relacionadas à gravidez e ao nascimento.

Apesar das diferentes interpretações, ainda não existe consenso sobre a finalidade exata desses objetos.

DNA antigo pode revelar quem criou as esculturas

A próxima etapa da pesquisa será analisar o DNA antigo preservado nos sedimentos da caverna. Como nenhum vestígio humano do período Aurignaciano foi encontrado em Hohle Fels, os pesquisadores esperam identificar quem ocupou o local e verificar se esses grupos deixaram descendentes entre as populações europeias posteriores.

Além de procurar material genético humano, a equipe pretende sequenciar DNA preservado de animais, plantas e microrganismos para reconstruir como era o ambiente e o cotidiano dos habitantes da caverna há cerca de 40 mil anos.

Segundo os pesquisadores, as estatuetas representam apenas uma parte das descobertas feitas durante as escavações. A equipe também encontrou centenas de ferramentas de pedra, dezenas de contas de marfim e dentes de animais decorados, enquanto a atual temporada de campo ainda pode revelar novos achados.

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