Ciência

Cientistas descobrem proteína que pode frear o envelhecimento

Pesquisa mostrou que aumentar os níveis de uma proteína reduziu sinais de fragilidade em ratos idosos

Envelhecimento: Proteína anti-inflamação faz ratos idosos ficarem mais fortes (Tatiana Maksimova/Getty Images)

Envelhecimento: Proteína anti-inflamação faz ratos idosos ficarem mais fortes (Tatiana Maksimova/Getty Images)

Publicado em 20 de maio de 2026 às 10h11.

Uma equipe da Universidade de Buffalo identificou uma proteína que pode ajudar a reduzir os efeitos físicos do envelhecimento.

Em testes com ratos idosos, os cientistas observaram melhora na força muscular, resistência física, saúde óssea e até no funcionamento do sistema imunológico após o aumento dos níveis da proteína chamada tristetraprolina, conhecida como TTP.

O estudo foi publicado na revista científica Aging and Disease.

A proteína que chamou a atenção dos cientistas

A pesquisa investigou um fenômeno conhecido como “inflammaging”, termo usado para descrever a inflamação crônica e silenciosa que acompanha o envelhecimento.

Esse processo está associado à perda de força, fragilidade, doenças inflamatórias e maior vulnerabilidade do organismo ao longo dos anos. Segundo os pesquisadores, os níveis naturais de TTP diminuem com a idade, permitindo que sinais inflamatórios se espalhem mais facilmente pelo corpo.

Keith Kirkwood, autor principal do estudo e pesquisador da universidade americana, explicou que o envelhecimento compromete diretamente a resposta imunológica. “Essas mudanças relacionadas à idade levam a uma queda da resiliência do sistema imune e aumentam a suscetibilidade a doenças inflamatórias crônicas”, afirmou.

Ratos idosos ficaram mais fortes e resistentes

Para testar a hipótese, os cientistas modificaram geneticamente ratos com cerca de 22 meses de vida, idade considerada avançada para a espécie, para estabilizar os níveis da proteína TTP. Os animais passaram então por testes de caminhada, resistência, velocidade, força de preensão e desempenho físico geral.

Os resultados chamaram atenção. Os ratos apresentaram menor fragilidade física e ossos mais saudáveis, além de maior resistência durante os exercícios. “O aumento da TTP resultou em melhor força, melhor caminhada, resistência e desempenho físico geral”, destacou Kirkwood. “Esses ratos exibiram um perfil imunológico mais jovem.”

Os pesquisadores também observaram diferenças entre machos e fêmeas.

Embora ambos tenham apresentado melhora na saúde óssea, os efeitos foram mais fortes nos machos. A equipe acredita que fatores hormonais, como a redução do estrogênio nas fêmeas mais velhas, podem influenciar essa resposta.

O trabalho recebeu financiamento de US$ 2,1 milhões do National Institutes of Health e foi conduzido ao longo de seis anos. Além da Universidade de Buffalo, participaram pesquisadores da Universidade de Medicina da Universidade do Kansas e cientistas ligados ao Centro Médico da Universidade Duke.

A busca da ciência por uma velhice mais saudável

Apesar dos bons resultados, os autores reforçam que ainda não existe aplicação imediata em humanos. A equipe afirma que futuras pesquisas tentarão desenvolver medicamentos capazes de aumentar os níveis da proteína no organismo.

Os cientistas também querem investigar se a TTP pode ajudar no combate à neuroinflamação associada a doenças como Alzheimer e demência.

A descoberta surge em um momento em que o envelhecimento saudável se tornou uma das maiores preocupações da medicina moderna.

Mais do que prolongar a vida, a nova corrida científica tenta garantir que as pessoas cheguem à velhice com autonomia, mobilidade e qualidade de vida.

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