Economia

Copom inicia reunião com expectativa de corte da Selic para 14%

Mercado dá como certo um corte de 0,25 ponto percentual nesta semana e concentra as atenções na sinalização do Banco Central sobre os próximos passos do ciclo de juros

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 4 de agosto de 2026 às 05h00.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central inicia nesta terça-feira, 4, a reunião que deve reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano.

A decisão será anunciada na quarta-feira, 5. Relatórios da Warren e do C6 Bank consultados pela EXAME apontam um novo corte como o resultado precificado pelo mercado, embora a avaliação de que a piora das expectativas de inflação exige cautela nos próximos passos.

Segundo os contratos de Opções de Copom da B3, instrumento que capta a expectativa dos agentes financeiros para a decisão do Banco Central, 95% dos investidores ainda apostam em uma queda de 0,25 pontos.

No último relatório do Boletim Focus, que acompanha as medianas do mercado, a Selic no fim do ano foi reduzida para 13,75%. Há quatro semanas, a projeção era de 14%. No início de 2026, a expectativa era de 12%. Com essa sinalização, o mercado aponta que espera o corte desta semana e mais um neste ano.

Mais do que a redução dos juros, o foco do mercado estará na comunicação que acompanhará a decisão. Segundo economistas, o Copom terá de explicar como pretende conciliar a continuidade do processo de calibração da Selic com projeções de inflação que permanecem acima do centro da meta.

A Warren avalia que a decisão ideal seria manter a Selic em 14,25%, mas afirma que a comunicação recente do Banco Central tornou mais provável um corte de 25 pontos-base, para 14%.

Segundo relatório assinado por Luis Felipe Vital, chefe de Estratégia Macro e Dívida Pública da Warren, as últimas leituras de inflação corrente vieram abaixo das expectativas. O IPCA de junho avançou 0,16%, ante projeção de 0,31%, enquanto o IPCA-15 de julho subiu 0,06%, abaixo da estimativa de 0,22%.

As surpresas, no entanto, ficaram concentradas nos itens mais voláteis e não alteraram de forma relevante a dinâmica dos núcleos de inflação, medidas que retiram ou suavizam componentes com variações mais intensas.

As expectativas continuam acima da meta. De acordo com os números citados no relatório, as projeções do Focus passaram de 5,30% para 5,12% em 2026, mas subiram de 4,10% para 4,22% em 2027 e de 3,68% para 3,80% em 2028.

A projeção da Warren para o IPCA de 2027 está em 4,55%, acima da mediana do mercado.

Na atividade econômica, os indicadores mostraram desaceleração acima do esperado em parte das divulgações. A produção industrial de maio recuou 0,2%, ante expectativa de alta de 0,2%, enquanto o volume de serviços caiu 0,4%, diante de projeção de baixa de 0,1%.

Para a Warren, a manutenção dos juros evitaria novos ruídos e reforçaria o compromisso do Banco Central com o centro da meta. A casa avalia, porém, que a sinalização acumulada desde a última reunião favorece outra redução.

Comunicação do Copom será o principal foco

O C6 Bank também espera um corte de 0,25 ponto percentual, para 14%. A instituição avalia que o cenário permite a continuidade gradual do ciclo, mas recomenda menor comprometimento do Copom com os movimentos seguintes.

O relatório, assinado pelo economista-chefe Felipe Salles, destaca que as projeções de inflação para o horizonte relevante devem permanecer acima da meta. Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho aquecido e a resiliência da atividade econômica exigem a manutenção de uma política monetária contracionista.

Para o C6, o Copom deve preservar a indicação de que a política monetária passa por um processo de calibração, mas evitar antecipar novas reduções da Selic.

A instituição também cita a incerteza no ambiente internacional e a ausência de resolução do conflito no Oriente Médio como fatores que exigem prudência adicional.

O banco projeta a Selic em 14% ao fim de 2026 e de 2027.

A cautela esperada para agosto tem relação com a comunicação adotada na reunião anterior. Em junho, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25%, mesmo após reconhecer uma evolução desfavorável do cenário de inflação e atividade.

O comunicado introduziu uma discussão sobre a chamada “política monetária ótima”, estratégia que considera não apenas a convergência da inflação para a meta, mas também os efeitos das decisões sobre a atividade econômica, os preços dos ativos e outros agregados macroeconômicos.

Na ata, o Copom afirmou ter analisado cenários que levariam a inflação ao centro da meta no quarto trimestre de 2027, mas produziriam inflação abaixo do objetivo nos períodos seguintes e volatilidade excessiva.

Na divulgação posterior do Relatório de Política Monetária, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o diretor Paulo Picchetti afirmaram que o Copom não tem restrição a uma inflação abaixo da meta. Também disseram que uma redução desordenada da atividade não seria compatível com a condução considerada adequada da política monetária.

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