Café: saiba qual é a quantidade ideal para o cérebro (Imagem gerada por inteligência artificial/Adobe Firefly/Arte/Exame)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 17 de maio de 2026 às 06h07.
Tomar aquele café durante o dia faz parte da rotina de muita gente. Mas você sabia que esse hábito pode ajudar no envelhecimento saudável do cérebro e até na redução no risco de desenvolver demência? É isso que um estudo feito pela Universidade de Harvard e publicado pela Associação Médica Americana indica.
O consumo moderado de cafeína foi associado a menor risco de demência nesse estudo de longo prazo com 131.821 enfermeiros e profissionais de saúde nos Estados Unidos. A pesquisa acompanhou dados de participantes por até 43 anos, desde quando estavam no início dos 40 anos. No período, 11.033 pessoas, cerca de 8%, desenvolveram demência.
O maior efeito foi registrado em adultos de até 75 anos. Nesse grupo, a ingestão de 250 mg a 300 mg de cafeína por dia, equivalente a duas ou três xícaras de café, foi ligada a risco 35% menor de demência.
O estudo apontou que consumir mais cafeína não trouxe proteção adicional. Segundo os pesquisadores, o benefício parece se estabilizar após o consumo moderado.
Os cientistas citam possíveis mecanismos biológicos para explicar essa associação. A cafeína bloqueia a adenosina, substância que reduz a atividade de neurotransmissores como dopamina e acetilcolina. Eles tendem a perder atividade com o envelhecimento e em doenças como Alzheimer.
A cafeína também pode atuar na redução da inflamação e na regulação do metabolismo da glicose. A publicação afirma que pessoas que consumiram mais de duas xícaras de café por dia ao longo da vida, sem demência, apresentaram níveis menores de placas amiloides no cérebro.
O estudo também registrou uma tendência envolvendo café descafeinado. Participantes que consumiram mais descafeinado tiveram declínio de memória mais rápido. Os pesquisadores afirmam que isso pode estar ligado à troca para o descafeinado após problemas de sono, pressão alta ou alterações no ritmo cardíaco, condições associadas ao declínio cognitivo.