Ciência

Vida sem Sol? Luas errantes podem esconder oceanos por bilhões de anos

Pesquisa sugere que atmosferas ricas em hidrogênio e aquecimento interno podem manter água líquida em mundos sem estrela

Planetas errantes: mundos sem estrela podem abrigar luas habitáveis (Getty Images)

Planetas errantes: mundos sem estrela podem abrigar luas habitáveis (Getty Images)

Publicado em 30 de maio de 2026 às 05h06.

Luas que vagam pela galáxia sem receber luz de uma estrela podem sustentar vida por bilhões de anos, segundo um estudo liderado por pesquisadores da Ludwig-Maximilians-Universität München (LMU), na Alemanha. A pesquisa sugere que esses mundos poderiam manter oceanos de água líquida mesmo em regiões extremamente frias do espaço interestelar.

Os resultados foram publicados na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Como luas sem Sol podem permanecer habitáveis

Os cientistas investigaram exoluas que orbitam planetas errantes — corpos celestes expulsos de seus sistemas de origem e que viajam pela galáxia sem orbitar uma estrela.

Estudos anteriores já indicavam que alguns desses planetas poderiam manter luas após serem ejetados. Agora, os pesquisadores avaliaram se esses satélites naturais conseguiriam preservar condições favoráveis à vida por longos períodos.

Segundo a análise, algumas dessas luas poderiam conservar oceanos líquidos por até 4,3 bilhões de anos.

Calor interno pode impedir o congelamento

A principal fonte de energia não seria uma estrela, mas o chamado aquecimento de maré. À medida que a lua se aproxima e se afasta do planeta que orbita, forças gravitacionais deformam continuamente seu interior, gerando calor por atrito.

De acordo com os pesquisadores, esse processo poderia produzir energia suficiente para impedir que os oceanos congelassem completamente, mesmo nas regiões mais frias da galáxia.

Atmosfera de hidrogênio ajuda a reter calor

O estudo também aponta que atmosferas densas de hidrogênio podem funcionar como um poderoso isolante térmico. Sob altas pressões, moléculas de hidrogênio passam a absorver e reter parte da radiação térmica emitida pela superfície, reduzindo a perda de calor para o espaço.

Segundo os autores, a combinação entre aquecimento de maré e uma atmosfera rica em hidrogênio permitiria que água líquida permanecesse estável por bilhões de anos.

Diante disso, os pesquisadores afirmam que os resultados podem ampliar significativamente a procura por ambientes habitáveis fora do Sistema Solar.

Atualmente, a maior parte das buscas se concentra em planetas localizados na chamada zona habitável ao redor de estrelas. O novo estudo sugere que a vida talvez não dependa necessariamente da luz solar para surgir e evoluir.

Como astrônomos estimam que existam bilhões de planetas errantes espalhados pela Via Láctea, o número de locais potencialmente habitáveis na galáxia pode ser muito maior do que se imaginava.

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