Dom Pérignon 2018: lançamento em evento no MASP (Dom Pérignon/Divulgação)
Especialista em vinhos
Publicado em 3 de novembro de 2026 às 10h00.
Quando pensamos em vinhos para guardar por décadas, Bordeaux, Borgonha e Barolo costumam aparecer entre as primeiras referências. São regiões que construíram uma reputação pela capacidade de seus grandes vinhos envelhecerem e ganharem complexidade com o tempo. Mas existe outra categoria que merece o mesmo espaço nas adegas dos colecionadores: Champagne, especialmente quando falamos de grandes safras e produtores como Dom Pérignon.
A maison francesa acaba de apresentar no Brasil seu Vintage 2018, em um evento realizado no MASP, em São Paulo. O lançamento acontece depois de aproximadamente oito anos de maturação nas caves de Champagne e marca um momento importante para a marca, por ser a primeira safra elaborada integralmente sob a responsabilidade de Vincent Chaperon, atual chef de cave.
Diferentemente de muitas casas de Champagne, que têm nos rótulos sem indicação de safra uma parte importante de sua produção, Dom Pérignon trabalha exclusivamente com vinhos safrados. Isso significa que cada lançamento representa uma interpretação de um ano específico, respeitando as condições climáticas e as características das uvas daquela colheita.
Em 2018, Champagne viveu uma temporada particularmente quente e ensolarada, com condições favoráveis ao amadurecimento de Chardonnay e Pinot Noir. O resultado é um vinho que combina generosidade de fruta, textura e frescor, características importantes para sua evolução ao longo dos próximos anos.
Essa relação com o tempo é uma das grandes particularidades de Dom Pérignon. A marca construiu sua reputação não apenas pela qualidade de seus Champagnes, mas também pela capacidade de transformar cada safra em um lançamento aguardado por consumidores e colecionadores ao redor do mundo.
Outro aspecto interessante do lançamento é a relação entre Dom Pérignon e o universo artístico. A marca apresentou uma edição limitada do Vintage 2018 em colaboração com Damien Hirst, um dos nomes mais conhecidos da arte contemporânea britânica.
Inspirada na série Kaleidoscope, a criação utiliza formas simétricas e elementos visuais associados à identidade de Dom Pérignon. A edição do Vintage 2018 ganhou uma apresentação em tons de azul, enquanto o Rosé Vintage 2010 recebeu uma interpretação em rosa.
Essa aproximação entre vinho e arte faz parte de uma estratégia cada vez mais presente no mercado de luxo. As marcas procuram oferecer experiências que ultrapassam o produto em si, estabelecendo conexões com cultura, design e colecionismo.
No caso de Dom Pérignon, a colaboração com Damien Hirst acrescenta uma dimensão artística a um vinho que já possui uma identidade própria. Para o consumidor, a garrafa pode representar tanto uma experiência de degustação quanto um objeto de coleção.
A escolha do MASP para a apresentação brasileira reforça esse posicionamento. Ao associar o lançamento a uma instituição cultural, a marca aproxima Champagne do universo das artes e fortalece sua presença em um mercado no qual imagem, experiência e relacionamento com o consumidor são elementos fundamentais.
Existe, porém, algo que considero ainda mais interessante quando falamos de champanhes de grandes safras: a relação entre o vinho e o tempo.
Os grandes champanhes têm uma capacidade de envelhecimento que muitas vezes surpreende quem associa espumantes apenas ao consumo imediato. Com o passar dos anos, a fruta fresca pode dar lugar a aromas de frutas secas, mel, especiarias e notas tostadas. A textura evolui, enquanto a acidez e a estrutura ajudam a preservar o equilíbrio.
É uma transformação que torna a experiência de abrir um champanhe antigo tão interessante quanto degustar um grande Bordeaux ou Barolo com décadas de idade. Naturalmente, a qualidade do produtor, as características da safra e as condições de armazenamento são fundamentais para que essa evolução aconteça.
Mas guardar um vinho também pode ter um significado que vai muito além de sua capacidade de envelhecimento.
É comum encontrar pessoas que compram garrafas do ano em que nasceram seus filhos, de um casamento ou de alguma conquista importante. São vinhos escolhidos não apenas pelo que representam hoje, mas pela expectativa de abri-los em uma celebração futura.
Tenho uma relação especial com a safra 2018. Foi o ano em que nasceu meu filho Bernardo e, por isso, sempre presto atenção aos grandes vinhos daquela colheita. Quando soube do lançamento do Dom Pérignon 2018, decidi comprar algumas garrafas para guardar e degustar com ele no futuro.
Gosto de pensar que, enquanto essas garrafas envelhecem na adega, Bernardo também cresce, constrói suas próprias histórias e descobre o mundo. Um dia, quando abrirmos uma delas juntos, não estaremos apenas degustando um grande champanhe. Estaremos celebrando tudo o que aconteceu desde 2018.
Talvez seja essa uma das características mais bonitas dos grandes vinhos de guarda. Eles nos permitem escolher hoje uma garrafa para um momento que ainda nem sabemos exatamente como será.
E poucas coisas me parecem tão especiais quanto imaginar que, daqui a 15 ou 20 anos, poderei abrir um Dom Pérignon 2018 com meu filho e brindar à vida que construímos desde então.