Ciência

BBB 26: Médico explica como Henri Castelli sofreu convulsão durante prova; veja como se prevenir

Neurologista consultado pela EXAME detalha os principais fatores que levam ao distúrbio e maneiras de prevenção

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 20h23.

Última atualização em 15 de janeiro de 2026 às 00h08.

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O ator Henri Castelli desmaiou e sofreu duas convulsões durante a primeira Prova do Líder do Big Brother Brasil 26, na manhã desta quarta-feira, 14, após cerca de nove horas em uma dinâmica de resistência. O participante caiu da estrutura montada para a competição, o que mobilizou outros confinados e gerou reações imediatas tanto na casa quanto nas redes sociais.

A disputa, iniciada na noite anterior, terça-feira, 13 de janeiro, avançou pela madrugada até ser interrompida por volta das 9h, quando Henri perdeu a consciência em meio à atividade. Os demais participantes gritaram por ajuda e solicitaram a entrada da equipe de produção, diante do agravamento da situação.

O episódio teve repercussão imediata nas redes sociais, onde usuários demonstraram preocupação com o estado de saúde do ator e criticaram o tempo de resposta da equipe do reality show. Um dos comentários mais compartilhados mencionava a “agonia” causada pela demora no atendimento.

Henri Castelli foi retirado do local e recebeu os primeiros cuidados médicos fora do alcance das câmeras.

Atualização: após o incidente, a TV Globo anunciou a saída de Henri Castelli do Big Brother Brasil e o ator foi encaminhado ao hospital, onde ficou internado. A emissora não deu mais detalhes sobre o estado de saúde do artista. Veja a íntegra da nota, a seguir:

"Como esclarecido há pouco no BBB, nesta quarta-feira pela manhã, durante a prova do líder, Henri Castelli teve uma crise convulsiva, foi atendido no provódromo pela equipe médica e levado a um hospital para realização de exames. À tarde, após os resultados não apontarem qualquer problema, Henri retornou ao programa, mas teve uma nova crise. Ele, então, foi levado novamente ao hospital, onde ficou internado em observação. O ator, diante deste quadro, não seguirá no programa".

O que pode causar crise convulsiva?

Para compreender possíveis causas do episódio ocorrido com Henri Castelli, o neurologista Dr. Saulo Nader explica, em entrevista à EXAME, que uma crise convulsiva pode ocorrer quando há uma descarga elétrica excessiva e desorganizada no cérebro.

"Essa alteração pode ser pontual ou recorrente, e nem sempre significa epilepsia", afirma o especialista.

Segundo o neurologista, as causas de uma convulsão são variadas e vão desde fatores transitórios como febre, uso ou abstinência de substâncias, até condições neurológicas estruturais ou metabólicas.

E acrescenta: "Uma convulsão também pode ser provocada por uma lesão aguda no cérebro, como, por exemplo, um sangramento, uma meningite ou uma epilepsia, que pode ser genética ou estrutural. Alguma coisa no cérebro é a fonte do curto-circuito, como uma cicatriz, uma má formação ou uma calcificação".

Uma convulsão está relacionada a alguma doença?

Segundo o Dr. Saulo Nader, a convulsão pode estar associada a diferentes situações, como:

  • Epilepsia
  • Traumatismo craniano
  • AVC
  • Tumores cerebrais
  • Infecções do sistema nervoso central, como meningite ou encefalite
  • Alterações metabólicas, como hipoglicemia, distúrbios de sódio ou cálcio
  • Doenças genéticas ou neurodegenerativas (em casos específicos)

De qualquer forma, o especialista ressalta: "Nem sempre existe uma doença grave por trás, mas é fundamental investigar para entender a origem".

Quais grupos estão mais propensos a apresentar convulsões?

O distúrbio pode ocorrer com maior incidência em determinadas pessoas, considerando características como idade ou condições de saúde. O neurologista pontua os grupos que têm maior risco:
  • Crianças pequenas, especialmente por febre alta
  • Idosos, geralmente associados ao AVC (Acidente Vascular Cerebral) ou doenças degenerativas
  • Pessoas com histórico de problemas neurológicos, como epilepsia ou lesões cerebrais
  • Indivíduos com uso excessivo de álcool ou drogas, ou em abstinência

Durante conversas dentro da casa, Henri Castelli relatou a outros participantes o hábito de consumir vinho diariamente pela manhã. Segundo o Dr. Saulo Nader, a interrupção repentina da ingestão de álcool pode representar um fator relevante na ocorrência de convulsões, especialmente em indivíduos com consumo regular.

"Mudanças abruptas no organismo podem desencadear convulsões em algumas pessoas, especialmente quando envolvem álcool. O consumo frequente de álcool seguido de uma interrupção súbita pode provocar abstinência alcoólica, que é uma causa conhecida de convulsões", detalha.

Além disso, problemas na alimentação e consumo adequado de água podem elevar o risco.

"Restrição alimentar, desidratação, alterações do sono e estresse físico intenso comuns em situações extremas também podem contribuir como fatores desencadeantes".

Uma convulsão pode causar sequelas?

Para o Dr. Saulo Nader, na maioria dos casos, uma convulsão isolada, breve e bem assistida não causa danos permanentes.

"O risco aumenta quando as convulsões são prolongadas e ocorrem em sequência, sem recuperação. Há queda, trauma ou falta de oxigenação. Por isso, convulsões repetidas ou longas exigem atendimento médico imediato. Inclusive, proteger a cabeça com blusa para as pessoas nao se machucarem".

O que fazer se alguém apresentar convulsão?

O especialista recomenda:
  • Manter a calma
  • Deite a pessoa de lado, para evitar aspiração de saliva ou vômito
  • Afaste objetos que possam causar ferimentos
  • Não segure a pessoa à força
  • Não coloque nada na boca
  • Observe o tempo da crise e proteger a cabeça para pessoas não se machucar
Nessas circunstâncias, o neurologista também reforça: "Se a convulsão durar mais de 5 minutos, se repetir ou for a primeira da vida, é essencial chamar atendimento médico imediatamente.
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