Ciência

E agora, Halley? Cometa mais famoso do céu pode ter nome errado

Estudo sugere que um monge inglês reconheceu o retorno do cometa no século 11 — e isso altera a jornada do cometa

Cometa Halley: nome pode não estar certo, segundo estudo (Bettmann / Colaborador/Getty Images)

Cometa Halley: nome pode não estar certo, segundo estudo (Bettmann / Colaborador/Getty Images)

Publicado em 14 de maio de 2026 às 09h13.

Antes de carregar o nome de Edmond Halley, o cometa Halley pode ter sido reconhecido por um monge inglês como um visitante repetido do céu. A hipótese aparece em uma nova pesquisa com participação do professor Simon Portegies Zwart.

Segundo o estudo, Eilmer de Malmesbury, também chamado de Aethelmaer, teria percebido no século 11 que o mesmo cometa havia aparecido em momentos diferentes, separados por décadas.

A interpretação parte de relatos do historiador William de Malmesbury, do século 12. Os textos já eram conhecidos por estudiosos, mas, segundo os pesquisadores, a conexão entre as descrições não havia recebido atenção.

Portegies Zwart e o pesquisador Lewis afirmam que Eilmer observou o cometa em duas passagens e entendeu que elas tratavam do mesmo objeto.

O trabalho foi publicado no livro Dorestad and Everything After. Ports, townscapes & travelers in Europe, 800-1100.

Como Halley entrou na história

Edmond Halley ficou associado ao cometa por identificar sua periodicidade. O objeto é hoje oficialmente chamado de 1P/Halley.

O astrônomo britânico concluiu que os cometas observados em 1531, 1607 e 1682 eram o mesmo astro, em retornos separados por cerca de 76 anos.

A descoberta fez com que o cometa passasse a ser conhecido pelo nome de Halley.

A aparição de 1066

Em 1066, o cometa chamou atenção em várias regiões. Registros históricos indicam que ele foi visto na China por mais de dois meses.

O pico de brilho ocorreu em 22 de abril de 1066. Na Bretanha e nas Ilhas Britânicas, a visibilidade começou em 24 de abril.

A passagem do cometa se tornou um dos símbolos daquele ano. O objeto aparece na Tapeçaria de Bayeux, obra medieval sobre a conquista normanda da Inglaterra.

Um sinal de desastre no céu medieval

O cometa apareceu durante o reinado de Harold Godwinson, que governou a Inglaterra de 6 de janeiro a 14 de outubro de 1066.

A pesquisa encontrou referências a avistamentos de cometas em cinco ocasiões nos séculos próximos ao período analisado.

Na Idade Média, cometas eram associados a tragédias. Tradições orais nas Ilhas Britânicas ligavam esses eventos a fome, guerra e morte de reis.

Os pesquisadores também citam relatos de um cometa vinculado à morte do arcebispo Sigeric de Canterbury, em 995. Esse objeto, no entanto, não aparece em crônicas sobreviventes.

Segundo os autores, o caso pode ter sido uma forma medieval de fake news ou uma narrativa exagerada para reforçar alertas de punição divina.

O nome do cometa pode ser revisto?

Em 1066, Eilmer de Malmesbury provavelmente já era idoso. Ao observar o cometa, ele teria reconhecido o mesmo objeto visto décadas antes, em 989.

Como era comum no período medieval, o rei recebeu o alerta de que o cometa anunciava uma catástrofe.

Os pesquisadores afirmam que a trajetória histórica do cometa abre discussão sobre seu nome atual. A razão é que observadores anteriores podem ter identificado seus retornos séculos antes do trabalho de Edmond Halley.

Portegies Zwart afirmou que a pesquisa foi prazerosa, mas desafiadora por envolver um projeto interdisciplinar ao lado de um historiador. Ele disse ainda que pretende seguir investigando esse tipo de cometa periódico.

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